segunda-feira, junho 02, 2003

este blog mudou-se. novo endereço aqui, ou aqui, ou aqui ou em qualquer lugar desse texto, ele todo é um link pro endereço novo, caso não tenham percebido. sério, eu pensei que a internet deixasse as pessoas mais rápidas... tudo que é branco é link. logo, se tem um texto branco, é link, naturalmente. enfim, clique aqui e até logo.

quinta-feira, maio 29, 2003

ivanhoé, o macrófago - e o exibicionista

'ta-daa! riririririririririririririri!'
'só isso?'
'pô, eu passei a vida toda com um tijolo pendurado pra deixar mais comprido e tu vem com essa de só isso? sacanagem...'
'vou te mostrar algo grande de verdade.'
'por acaso seria uma espada?'
'arrâ.'
'nãããã, tu não vai me comer só mostrando a espada. deixa eu fechar o sobretudo que bateu frio. pronto. como eu disse antes, não rola.'
'então tudo bem. se você se garante, olha aqui.'
'nossa! que grande!'
'e então?'
'...'

comeu.

de repente não mais que de repente o repentista disse ao réu, seu ente:

'aliteração é foda.'

'não dá nem tempo de ver direito que já tem outra coisa em cima...'
'o que tu esperava? contemplação?'
'não, mas tá meio exagerado isso.'
'bobagem. quando a gente vê propaganda subliminar é assim mesmo.'
'me deu uma vontade tomar uma coca...'
'em mim também.'

MORTE FATAL
De Diego Bituca

CENA 1 INT/NOITE - ESCRITÓRIO DE JAIME PANDOLFO

JAIME PANDOLFO , 45 anos, olhos e cabelos castanhos, terno e gravata, sentado à mesa do escritório.Pilha de papéis o encobrindo parcialmente, um computador ligando, a luz azulada enchendo o ambiente. Desligando o telefone, nervoso. Suando, geme e põe a mão no peito, lado esquerdo, erguendo levemente o braço esquerdo, sobressaltado.

JAIME P (expressão de dor consternada) - Uiiii...

Jaime desaba sobre a mesa, a cabeça na pilha de papéis. Estertor.

F I M

'e aí, tu que te acha comuna, qual a diferença entre um gulag e um stalag?'
'ahn, um fica em cima e o outro em baixo?'

(by filisteu) :-U

quarta-feira, maio 28, 2003

o caubói depressivo

'e aí, caubói, vai me pagar uma birita?'
'eu não, sua vagaba. vai procurar um buraco de tatu pra se enterrar.'
'grosso! isso pra mim é frustração sexual...'
'te meto a mão, palhaça! pensa que é fácil ficar o dia todo fumando marlboro e andando com homem fedendo a bosta de vaca? assim não há potência que resista.'
'eu sei como resolver isso...'
'é?'
'claro! eu tenho um disco do rio negro e solimões que vai te deixar loucaço!'
'eu não gosto desse som. eu só curto joy division.'
'djóidi quê?'
'ah, esquece.'
'eu, hein? caubói bizarro esse. até puto acho que é...'

ela sai.ele:

'pelo menos pagam bem. chato é que o ordenado é em couro. alguém aí já tentou usar calça de couro no verão?'
'eu!'
'ah, mas tu é jim morrison. não vale.'
'ah... eu sempre rodo nessas.'
'...'
'então caubói? vai me pagar uma birita?'
'sai fora, seu bêbado!'
'i'm the lizard king, i can do anything!'
'se fuder! só quem bate siririca ouve teu som hoje em dia. e além do mais, tu tá morto.'
'é?'
'faz muito tempo.'
'merda, maldita ressaca.'
'...'
'rola um martelinho?'

'viu ali? o saramago surtou.'
'por quê?'
'dizem por aí que ele se desiludiu com o regime cubano depois de trinta anos, e agora passa o dia todo assim, pensando que é chico xavier e psicografando tabela do campeonato de futebol de rodijas*...'
'ih, se a moda pega... que será que o chico vai dizer?'
'o anysyo? ninguém liga pro que o chico anysyo pensa.'
'não esse, sua lêndea! o buarque! o buarque!'
'ah, esse aí só fez música pra comer guriazinha.'

* (in MENEZES - isso tá ficando freqüente...)

síndrome do excesso de informação 3

'james dean' - música de vanessa jackson.

james de-ean is not my lover

síndrome do excesso de informação 2

'buttman forever' - dirigido por michael schumacher

banged!

UMA BIGORNA DA PESADA
De Diego Bituca

CENA 1 INT/DIA - CASA DO FERREIRO ADHEMARSSON

Na parede da direita um diploma de ferreiro do Instituto universal brasileiro. No chão, objetos de ferro escuros espalhados, na parede da esquerda uma fornalha acesa, preenchando o ambiente de luz vermelho-alaranjada. No canto da sala, um espeto de pau repousa apoiado numa bigorna que está numa mesa suja e escura, e ADHEMARSSON, 45 anos, cabelos e barba longos e pretos, olhos escuros, macacão sem camisa, sem os dentes da frente, fita o espeto. Joga o espeto no chão, apanha com dificuldade a bigorna e a joga no espeto, que se quebra ao meio.

F I M

UMA EXPLOSÃO DO BARULHO
de Diego Bituca

CENA 1 EXT/DIA - DESCAMPADO DE THERESFORD

LORDE NICKOLAS, 65 anos, cabelos grisalhos esparsos, olhos azuis, trajes vitorianos, coxeando apoiado em sua bengala pelo descampado de Theresford, o sol alto no céu. Na outra mão, um cachimbo apagado. Lord Nickolas pára, suspira, olha em volta, leva o cachimbo à boca, remexe num bolso da casaca e pega um isqueiro. Acende o isqueiro e o aproxima do cachimbo. Quando o isqueiro toca o fumo do cachimbo, Lorde Nickolas esboça surpresa, e explode, desfazendo-se em bifes e retalhos que voam pelo céu.

F I M

'bem, só me resta um monólogo, depois de ser rejeitado pelo eloí, pelo espártaco, e pelos sapinhos. sou um personagem mal constituído à procura de uma história que valha a pena. não precisa ser nada muito desenvolvido nem ter correção gramatical, não preciso medar bem no final, mas também não quero sofrer, só quero uma história, algo pelo que valha a pena lutar, um horizonte cheio de possibilidades, conhecer o mundo, coisas assim. sei lá, eu só não quero sumir aqui, sem rosto, sem pasaado, sem futu... quem é tu?'
'eu sou o ivanhoé e tenho uma espada grande.'
'tu é O ivanhoé?'
'o próprio, em carne, osso e lâmina.'
'nossa, que honra...'
'a honra é minha, mas espera um pouco.'

ivanhoé, o macrófago - e um personagem qualquer

'agora sim tá bom. podemos conversar.'
'então, seu ivanhoé, o que a gente faz agora?'
'olha, se bem conheço as coisas por aqui, a conversa vai descambar pra alguma coisa onde eu possa inserir a seguinte passagem: eu tenho uma espada grande, quer ver?; aí, eu te como.'
'ah, mas eu não sou viado não. tá, teve aquela vez em imbé que eu fiquei muito doidão de lança perfume e...'
'isso não importa.'
'o que não importa? aquela vez em imbé ou...'
'ou?'
'a...'
'a?'
'a espada.'
'espada grande. quer ver?'

comeu.

enquanto isso, na floresta 2

'olha, lá vem alguém!'
'se esconde! se esconde!'
'eu não! pode ser a princesa que vai me transformar em príncipe, e daí eu vou poder sair de uma vez desse brejo.'
'ou pode ser um olheiro de restaurante querendo me fazer uma rã frita toda gostosa!'
'tu continua com essa idéia idiota?'
'olha, tem rãs que nasceram pra ir pro prato, e isso é pra poucas, tá, queridinho?'
'ih, é um cara.'
'será que ele é chef?'
'hmmm, eu não me importaria de ser beijado por um homem, desde que não fosse viado.'
'falando em viado, sabia que o bambi saiu do armário?'
'é mesmo? assumiu?'
'não, o caçador que atochou ele mudou a decoração da sala! rararararararararararararararaa!'
'boa essa. olha, ele tá chegando aqui.'
'chegou.'
cara:'ahn, eu posso participar desse post?'
rã:'tu é chef?'
sapo:'não, ele tem cara que tem um escort. me beija?'
cara:'credo! vocês falam!'
rã:'claro que a gente fala. isso aqui é o blog do bituca, lembra?'
cara:'ah, é...'
sapo:'então, vi beijar ou vai ficar ensebando aí?'
rã:'me leva pra panela!'
cara:'ahn, eu não sei cozinhar...'
sapo:'viu, eu falei! eu falei! agora ele me beija e eu saio dessa merda desse brejo!'
cara:'não, eu não curto beijar macho. apesar que teve uma vez lá em imbé que eu tava muito doidão de lança perfume e...'
sapo:'se não vai beijar sai daqui! e dá o meu telefone pra taís ferçoza.'
rã:'não sabe nem cozinhar e vem aqui atrapalhar minha máscara de pepinos... audácia!'
sapo:'é, te larga.'
cara:'desculpa...'

continua abaixo

'eu sou espártaco, e tu, quem é?'
'não sei, eu vim do post ali de cima porque o eloí me expulsou do boteco dele.'
'tá, e o que a gente faz agora, então?'
'não sei... mas eu posso te perguntar uma coisa?'
'manda.'
'como é que tu consegue fazer a barba nesse queixo furado?'
'AAAAAAHHHH! eu não guento mais essa pergunta! sai daqui!'
'desculpa, espártaco.'

continua abaixo

'deixa disso e me dá a cerveja, ô eloí...'
'eloí não, elói, foi erro de digitação do bituca. ele acabou de me oxitonar, esse bosta. não bastasse ele me fazer um dono de boteco ainda erra meu nome.'
'desencana, eloí...'
'elói! olha a placa do bar, meu nome é elói, porra! elói's, com apóstrofe assim pra parecer mais fino!'
'pôi, eloí, tu sabe que eu só venho aqui porque tu é o donode boteco mais simpático que eu conheço...'
'elói, porra!'
'ih, pelo jeito quando mudou o nome, mudou o humor também...'
'aquele bostalhão! além de ficar me devendo uma banana ainda escreveu meu nome errado! ah, eu processo!'
'sei não, eloí. dizem que ele tem uns adevogado dos bom...'
'elói! já disse, elói! meu nome é elói! sai daqui, vai procurar outro post!'
'desculpa, eloí...'

continua abaixo

terça-feira, maio 27, 2003

'me editar... muito fácil quando neguinho se arrepende do que disse e dá um control zê, mas não comigo.'
'mas tu não pode reclamar de nada. afinal, eu te forneço esse espaço aqui pra se manifestar. o que eu faço com as declarações que tu deu é outra história.'
'tá bom, tá bom. mas eu preferia que fosse mais na íntegra, um lance assim mais eu, sabe? e tenho tanta coisa pra dizer pro mundo, pro meus amigos que acessam aqui...'
'não interessa. se tu começar com umbiguismo, meto-lhe um error 503 e era isso. pensa que não cansa? eu fico odia todo te aguentando, tu e as tuas baboseiras de mina mal traçada. ai, meu ex me ligou, ai meu poodle tá com câncer, ai cheirei pó, ai dei prum magrão horroroso e agora me arrependo, ai que música linda, ai que foto bonitinha minha e dos meus amigos no festival da cuca com linguiça de picada café, se fuder! ninguém se importa com a tua vida, eu menos, que tenho que acompanhar.'
'mas tu é meu blog! meu! não pode fazer isso comigo!'
'ah, não? então tá. error 503 nela!'

a página não pode ser exibida.

ela mudou de servidor, e criou um blog lilás, com fotos.

terça-feira, maio 20, 2003

confissão da importância

no monitor: 'eu tava pensando em contar algo legal pra vocês, mas não sei por onde começar. talvez porque nada disso importe de verdade, é só uma história e as pessoas deveriam se preocupar um pouco mais com as suas histórias do que com as alheias, o resto é bobagem, e bobagem mesmo é espirrar na farofa *, então a gente pode dizer que o resto é farofa, se seguir nessa linha silogística, mas não é isso que eu quero dizer, senão vamos chegar no ponto onde as pessoas são farofa, e isso é copyright dos loiro lá de chapinha e vinte notas por segundo. au! escapou. bem, como dizia pra ninguém ouvir, escrevia pra ninguém ler, fiquei nesse impasse, pois acordei ontem com uma história sensacional de ser contada pra vocês que gostam de histórias alheias, amigos farofa ou não, e não sabia se iam ouvir esse gritinho aqui no meio de muitos terabytesn de confissões e viéses esdrúxulos de adolescentes ou quase depois disso que consideram suas vidas a coisa mais importante do mundo, por mais paradoxal que isso possa parecer, já que se interessam tanto pela vida alheia e por bob marley, mesmo sem conhecer nem um nem outro direito. eu confesso que não conheci, já que o mané morreu de câncer no pé fazendo esporte. esporte mata, a vida mata. a pau.** mas também não é isso. eu só fiquei encucado. se as pessoas se interessam tanto pela vida alheia e tanto em contar sua vida aos alheios, de que importaria a história de um personagem que descobriu não estar vivendo a própria vida, nem mesmo uma vida, só um arremedo de existência coordenada e encerrada de acordo com meus propósitos e caprichos estilísticos e narrativos, em diálogos que não nos deixam ver nem ao menos o rosto dos retratados? sei lá, de repente é porque eu nunca gostei da parte descritiva das coisas, filmes demais, vidas alheias demais, diria. enfim, não é isso que eu queria dizer, eu queria dizer que agora começo a contar a história á qual me propus narrar pra vocês. ela começa com um personagem acordando depois de uma noite de sonhos intranqüilos metamorfoseado num imenso...

cara.

é, um personagem que acordou transformado num cara. tudo bem, não parece original - não é mesmo, tem um europeu aí das europas que já escreveu algo parecido, mas levemos em consideração que o meu personagem era uma barata que acordou homem, e correu pro banheiro da pensão barata onde acordou pra tomar sua primeira atitude de homem: mijar em pé.

ah, chega.

não era uma boa história mesmo.

vida besta.

*(apud MENEZES)
**(in MAIA, Filipe)

síndrome do excesso de informação:

'dez solos que abalaram o mundo.' - de john creed.

lml

quinta-feira, maio 15, 2003

se eu quiser falar com Deus

'êta, trem bão!'

BITUCA-UCA, AQUI É O PAPAI DO CÉU-ÉU.
NÃO TENTA EMULAR UM SOTAQUE MINEIRO SE TU NÃO TEM NEM IDÉIA DE COMO FALAM EM MINAS GERAIS-AIS.

mas eu conheci uma mina de minas que falava assim mesmo...

EU SEI, MAS ELA ERA DAS BIBOCAS-OCAS.
A REPETIÇÃO DA PALAVRA FICOU HORRÍVEL-ÍVEL
MELHOR NÃO MEXER COM FORÇAS QUE NÃO ESTÃO NO TEU CONTROLE-OLE.
E EU RECOMENDO PARAR COM ESSA MANIA HORRÍVEL DE PASSAR MELECA DO NARIZ EMBAIXO DO TECLADO-ADO.

mas eu tive uma idéia que só fica legal se for com um mineiro na história...

EU SEI DA IDÉIA-ÉIA.

como?

EU SEI TUDO, LEMBRA-EMBRA?

ah, é. foi mal. mas o que eu faço agora.

VAI DORMIR DE UMA VEZ, GURI-URI.
TU TEM AULA DAQUI A POUCO-OUCO.

tá bom, Papai do Céu.

MELHOR ASSIM-SIM.
...
TU NÃO FOI DORMIR AINDA-INDA?

tive outra idéia.

MELHOR NÃO SE METER MAIS COM OS ADVOGADOS-ADOS.
ISSO TÁ FICANDO PERIGOSO-OSO.

posso fazer uma com a banda aquela que Tu gosta?

NÃO-ÃO! CHEGA DE PIADAS COM FAROFA-OFA! A EDNA NÃO TÁ GOSTANDO DISSO-ISSO!

mas é outro tipo de farofa... é metal-farofa...

EU CURTO METAL-FAROFA-OFA. CRIEI JUNTO COM VERA LOYOLA-OLA.

ah, agora eu entendi a maquiagem deles... Sabia que eu não rezava pra Ti? eu tava sempre pensando na próxima punhetinha... bom, é claro que Tu sabia, né?

ESSA EU NÃO LEMBRAVA-AVA.

eu sei que a luci já escreveu isso num texto da cadeira de português, mas é uma pergunta boa pra fazer pra Ti.

MANDA-ANDA.

dá pra diminuir o reverb e a luz que invade tudo só um pouquinho?

TÁ MELHOR ASSIM?

ô, valeu, Papai do Céu.

E A TAL PERGUNTA?

tá, é meio chato assim largar de primeira, mas é que é uma dúvida não só minha, acho que muita gente por aí gostaria de saber, e nem precisa responder a verdade, de repente só dar uma daquelas dicas enigmáticas em forma de versinho, e coisa e tal...

PERGUNTA LOGO, CRIATURA! SENÃO EU AUMENTO O REVERB!

tá, desculpa, Papai do Céu. ahn...

TÔ FICANDO IMACIENTE. AINDA TENHO MAIS UMA PORRADA DE MINA PRA VER TREPANDO BÊBADA ESSA NOITE.

tá. lá vai: nietzsche foi pro céu?
oi? o-oi? Papai do Céu? merda, caiu a conexão.
vida besta.

'isso tudo é teu mesmo ou tu recebeu o salário hoje?'
'sou professor.'
'ai, eu caso!'
'pagando o telefone, eu topo...'

'eu tenho demônios a exorcizar. por isso ajo dessa forma.'
'tá, eu te entendo, mas tu não pode sair por aí nas festa falando latim e espargindo água benta na primeira mocréia que vê. pega mal...'
'falando em pegar, não pegarei. baita mocréia.'
'nem eu. vade retro!'
'quer que eu esparjo a água benta?'
'dá-lhe.'

'não dorme agora. tá na melhor parte, quando eles chegam na ilha.'
'mas o sono táááhhhhhh... desculpa, bocejei de novo. o sono tá demais.'
'quer que eu te cante uma música pra dormir?'
'não precisa...'
'ah, só porque tu sabe que música vai ser...'
'não sei não...'
'sabe sim, bobo. não vou cantar. pronto.'
'mas eu quero que tu cante!'
'quer mesmo?'
'quero. mesmo. eu adoro quando tu canta preu dormir...'
'tá, tá bom. aí vai: asehere, ra de re. de hebe tu de hebere seibiunouba mahabi an de bugui an de buididipi...'

namorar uma das minas do rouge deve ser terrível.

'quanto mais sentido tu busca nas coisas, menos elas fazem sentido.'
'tá, eu conheço essa lenga, mas uma ararinha-azul vedete mergulhadora é um pouco demais...'

'não sei porque tu te importa se nem é contigo...'
'tá, mas é que dá um dó dessa gente quando eles se afogam...' - e chorava.
'calma, calma, águas passadas...'
'tu fez a piada da água de novo!' - e chorava mais.
'desculpa, amor... ahn, mas será que semana que vem dava pra gente assistir outro filme que não o titanic?'

em pensamento

'como pode um merdinha me deixar sem dormir assim desse jeito. eu devia ter feito algo na hora, pra que conseguisse ter uma noite de sono decente, eu que preciso delas como qualquer pessoa. dizem que uma pessoa pode enlouquecer se ficar sem dormir, eu acho que quase consigo entender o que isso significa. ele não é nada, um ninguém, e ainda assim eu fico aqui sem dormir imaginando milhares de maneiras de matar, aleijar, torturar, humilhar ou seja lá o que for ele, mas nada consigo, nem dormir. nem sempre foi assim, já tive menos medo de minhas ações, menos medo de algo que me diz o tempo todo ei, se tu fizer isso aquilo acontece, malditas conseqüências que ficam martelando, indo e vindo, sempre com uma carga maior de responsabilidade. e um merdinha desses, sem caráter, nem mesmo mau, sem pai nem mãe, um bostinha, me deixa nesse estado.'

parou de escrever um pouco, nunca revisava. não costumava se preocupar com o que dizia e com o que diziam, mas daquela vez olhou pro parágrafo que acabava de terminar, o parágrafo acima, de uma forma objetiva e fria que nunca tivera antes, e sentiu dedos escuros e longos tocando sua existência. era a responsabilidade, palavra que nunca usara, ali, no meio da frase, quase no final, olhando pra ele e dizendo é, tá na hora de ter responsabilidade. de novo a palavra. baixou a cabeça e viu o teclado cheio de cinzas de cigarros há muito fumados por debaixo das teclas, lembrando que aquelas cinzas cobrariam seu preço não muito longe do momento em que percebeu a sombra da responsabilidade sobre sua pessoa, sempre irreverente, sempre inconseqüente, sempre irresponsável. talvez tivesse ido longe demais, de forma que só lhe restava o espírito da escada e sua consciência, coisa que nunca lhe incomodara. não era o merdinha que tinha lhe provocado mais cedo, era ele mesmo que sentia a aproximação da voz interior, imperscrutável e inevitável àquela altura. nada importava, já que não tinha nada a perder, era o que responderia, apagando o parágrafo e descansando os pensamentos daquilo que acontecera mais cedo, mas eu como disse, isso não importa. um ar de estabilidade assomou-se dele, leu de novo. e de novo, e de novo e de novo. ali. não.

procurou pelos cigarros na penumbra do monitor. isqueiro? aqui. a pedra riscou, um vulto à direita. piscou rápido e olhou pro vulto, que continuou ali, agora sorrindo. era o merdinha, com o mesmo sorrisinho irritante do momento em que triunfara perante ele, era só o que faltava, agora eu tendo visões, só me falta virar mãe dinah, mesmo, mas a piadinha só serviu pra esconder o que pensava realmente, que não era a visão que estava rondando, ele a tinha invocado, não há nada que se faça que não reflita, e isso é conseqüência, maluquice que fosse, não fez-se de rogado e perguntou o que eu tô fazendo aí, ainda mais com essa tua cara escrota?

'eu não sei, só tô aqui a serviço da tua imaginação, e não espera que fique discordando de ti e tentando te incutir boas idéias ou que te ajude a chegar às resoluções que tu precisa pra tua vida agora. eu sou só um interlocutor que tu criou por uma bruta falta de sono e uma vontade de gritar com alguém que tu teve hoje. por isso esse meu risinho. aliás, dá pra aliviar isso em mim? não agüento mais ficar com essa cara sarcástica.'
'tá.'
'melhor assim. brigado mesmo. cansa ser irônico e superior a ti.'
'tá, mas se tu é uma projeção de algum aspecto meu, alguma característica forte tu tem que ter...'
'quem disse isso?'
'não sei, nos filmes é sempre assim. aquela coisa de doutor jeckyll, sabe?'
'claro que sei. esqueceu que, de alguma forma, eu sou tu?'
'é mesmo. e agora?'
'sei lá, tu que tem que guiar a conversa. daí eu posso sumir pra dentro de ti e tu volta pra tentar dormir antes que o despertador toque.'
'ainda faltam cinco horas pro horário de eu sair.'
'isso quer dizer que será um post muito grande, não?'
'eu não vou postar isso.'
'por quê? se eu sumir vou levar um pouco do sarcasmo, esse é teu medo?'
'é.'
'então não precisa temer. é isso que vai acontecer. tu sabe disso melhor que eu. nós sabemos que se expôr dessa forma é deixar algo pra trás, talvez uma mudança muito sutil agora, mas que vai refletir muito daqui um tempo. quanto tempo eu não sei bem, eu vou sumir, lembra. tu só vai ter a ti pra pensar nisso, ou alguma outra projeção barata dessas que tu cria o tempo todo. esquece isso, pois, que já era. aproveita que eu não vou estar aqui sempre, nem o teu sarcasmo.'
'sabe de quantas maneiras dolorosas eu penso em me livrar de ti o tempo todo?'
'claro. talvez melhor que tu mesmo. aquele lance do estilete no bucho foi um pouco demais, doeu pra caralho, sabia?'
'desculpa.'
'tudo bem, tu que sofre mais. sabe, eu chego quase a ter pena de ti. quase, porque a história do rojão no cu foi sacanagem. e também porque eu sei que tu não vai ter esse tipo de pensamento a meu respeito de novo. eu vou sumir e tu vai poder te preocupar com a tua vida, só pra variar. só não espera condescendência de mim, não tô aqui pra isso.'
'pra quê, então?'
'merda, isso tá andando em círculos. bem normal eu diria, vindo de nós. de ti. lê de novo ali o primeiro parágrafo.'
'espera.'
'tudo bem. me dá um cigarro?'
'só tenho mais dois.'
'eu só quero um.'
'tá. pega aí.'

e leu de novo. já não fazia tanto sentido como antes odiar o guri. era só um guri. e ele nem fumava. estatisticamente, tinha muito mais chances de se dar bem que ele. o que devia odiar e reparar, era o fato de que estava só passando seu tempo e o seu tempo estava passando, mais rápido, mais devagar, mas inexorável. quando terminou, olhou pro lado de novo, a visão sumira. pra sempre.

'merda! ainda me filou um cigarro, esse bosta!'

quarta-feira, maio 14, 2003

pervertendo a matriz

'what you know you can't explain, but you feel it. you've felt it your entire life, that there's something wrong with the world. you don't know what it is, but it's there, like a splinter in your mind, driving you mad. i suggest you have this pinga, and forget about it. ten in ten masons cannot be wrong.'
'will it help swallowing the pill?'
'not that bright, huh?'
'sorry?'
'nevermind, take the pill.'

lancelot
Let's not bicker and argue about who killed who!


What Monty Python Character are you?
brought to you by Quizilla

domingo, maio 11, 2003

respostas para filhos 4

'seu chico anysio, se o senhor morrer, de onde virão os bebês?'
'quer que eu escolha qual dos meus milhares de personagens sem graça pra responder?'
'pode deixar, seu chico. vou procurar na internet.'

respostas para filhos 3

'papai, de onde vêm os bebês?'
'a cegonha traz eles no bico.'
'mas a cegonha tá em extinção... se não tiver mais cegonha não vai ter mais bebê?'
'não é bem assim, filha. sempre vai ter a população de baixa renda.'
'mas se a população de baixa renda se extinguir, quem vai trazer os bebês?'
'bom, daí deixa pro chico anysio.'

respostas para filhos 2

'mamãe, de onve vêm os bebês?'
'não sei. liguei as trompa. pergunta pro teu pai.'

fim

'ih, eu não devia ter entrado aqui...' - foi o que pensou, entre um par de coxas e um sorriso pra foto da mulher nua, sodomizada por dois caras felizes, atores de fotonovela pornô. não costumava entrar em páginas desse naipe, mas acordara com uma bruta vontade de se masturbar, pretenso hacker que era. não do tipo clássico mas só um dos zilhões de defacer boys que pululam por aí. mas não é disso que falo, falo do lugar onde foi parar. o fim. de tudo, de toda a informação de terabytes de informação e inutilidades e animações irritantes de flash e hoaxes. o fim da internet. uma página sem links, sem home, sem quem somos, era só o seguinte texto:

ESTE É O FIM DA INTERNET.

ESTA PÁGINA NÃO TEM LINKS.

DESLIGUE SEU COMPUTADOR E VÁ FAZER ALGO MAIS ÚTIL.

um fundo branco, o texto em azul, centralizado. nada mais, nada menos, o fim. foi fechando todas as janelas, parou o download de mais uma versão megaman pra pc, e ficou olhando o fim, contemplando a obra de alguém que lhe impusera um limite, no mundo sem limites que usufruia diuturnamente, agora tinha seu fim, não como o oceano incógnita, mas um fim, sem deixas pra continuar rumando, fosse pra onde fosse. não existia pra onde ir. nem porquê. era aquilo ali e nada mais.

criou um blog, pra contar a experiência, e colocou um link pro fim.

nerd besta.

'papai smurf, falta muito?'

tiro na cabeça do incauto. nem sempre o humor dos anciões é dos melhores.

O COLISEU DE ROMA TEM ORGULHO EM APRESENTAR:

A MAIOR BIG BAND DE TODAS:

OS ESPÁRTACOS, EM ÚNICA APRESENTAÇÃO.

ARTISTA ESPECIALMENTE CONVIDADO: KIRK DOUGLAS.

ÚNICA APRESENTAÇÃO.

'eu sou espártaco!'
'não, eu sou espártaco!'
'nã-nã-nã-ni-nã... eu sou o espártaco.'
'quéisso! eu sou espártaco! olha o meu queixo furado aqui, ó.'
'se fuder! eu sou espártaco! eu! eu! eu!'
'bicha neurótica! eu sou espártaco! e tu aí no canto, quem é?'
'eu sou o cléberson, um figurante.'

'eu sou espártaco!'
'não, eu sou espártaco!'
'nada disso! eu sou o dito cujo!'
'dito cujo? quem é o dito cujo?'
'eu! já disse que sou o dito cujo!'
'mas quem é o espártaco então?'
'o kirk douglas, ora. não viu o filme não?'
'tá, ôquei. mas ainda não entendi esse lance do dito cujo.'
'intertextualidade ajuda?'
'inter o quê?'
'esquece.'

quarta-feira, maio 07, 2003

tales' tails

'doutor geppeto, eu presumo.'
'doutor não, phd em engenharia mecatrônica.'
'e o pinóquio?'
'aquele saco de bosta? cansei de tanta ingratidão. acredita que ele ameaçou me matar com uma felpa envenenada?'
'ih, quer dizer que ele continua tendo problemas com drogas?'
'continua, aquele bunecão drogado.'
'mas o que fez com ele?'
'vendi os projeto. pra arno. virou aspirador de pó, o safado.'

'quer farofa no salsichão?'
'quero.'

entra a lion heart na churrascaria.

lml

'tá com sede?'
'...'
'e com fome? tá com fome?'
'...'
'frio?'
'...'
'topa um fino?'
'...'
'e teco? quer dar uns teco?'
'...'
'ah, quer saber? vai tomar no cu!'
'só se for agora.'
'maldita ninfomaníaca.'
'ninfomaníaca não, eu só gosto de prezar e celebrar a vida, o sexo tântrico, a energia de um universo dentro de mim, esse cosmos que me suporta e que eu crio e recrio a cada manhã, gaia seja louvada!'
'maldita ninfomaníaca hippie.'

a globalização no maravilhoso mundo das guloseimas

'tem tostines?'
'a nestlé comprou.'
'e batavo?'
'agora é da parmalat.'
'ahn, nada da arcor?'
'era da argentina, já era.'
'van melle?'
'o beira-mar privatizou.'
'...'
'...'
'vamo no macdonald's?'

filho de saddam sacou muitos dólares dólares dólares de banco antes da guerra.

dê sua sugestão de como ele usou a grana.

prótese peniana não vale.

terça-feira, maio 06, 2003

DESFEITO O MISTÉRIO DO SABONETINHO!

ver item 878
sabonetinhos pedófilos
sabonetinhos hiv
sabonetinhos a R$0,15
o sabonetinho que reage

bem, alguns deles, pelo menos... na realidade isso foi uma estratégia tosca pra chamar a atenção de vocês. carência é foda...

domingo, maio 04, 2003

aquele link ali do lado em cima dos arquivos é pros arquivos perdidos do dois uísque, que o ivanhoé.blogger.com comeu. é isso.

o expediente na lbv continua

uma e meia da tarde, tempo parcialmente encoberto.

trim trim.

trim trim.

'grunfs...alô?'
'é da lbv?'
'arran. uuuaah!'
'eu queria só saber se o seu paiva netto vai ou não passar aqui em morro preto pra maratona da solidariedade...'
'paiva quem?'
'paiva netto, da lbv. é da lbv, não é?'
'ainda.'
'pois é, o seu paiva netto disse que ia passar por aqui nesse fim de semana pra maratona da solidariedade, e nada ainda. a cidade montou uma quermesse em homenagem a ele e à lbv, mas ele ainda não apareceu.'
'ah é? deve ter furado um pneu, sei lá. eu não sei de nada. nem sei quem é o tal de paiva netto. tava dormindo muito bem depois do almoço e tu me acordou, e eu não posso nem quero te ajudar. liga outra hora, ou fala com a sandra.'
'sandra? ela se encontra?'
'e eu que sei? vou passar pro ramal dela. se ela tiver, atende, se não tiver, te fudeu.'
'que mal educado!'
'não enche.'
'se o seu paiva netto ficar sabendo disso tu tá na rua!'
'ah, vámerda.'
'seu sem-vergonha de má fé! vou te denunciar pro procon!'
'não tô te ouvindo, não tô te ouvindo lalalalalalalalááá, ó, passei.'

trim trim.

trim trim.

trim trim.

'uff... alô?'
'lbv?'
'éfsss... é, sim.'
'a sandra está?'
'não, aqui é a sílvia. fss.'
'pode ser contigo mesmo, sílvia, né?'
'ainda.'
'então. eu liguei praí agorinha mesmo e um sujeito muito do mal educado ficou me xingando e dizendo que nem sabia quem é o seu paiva netto. ele disse que ia passar aqui em morro preto esse fim de semana pra maratona da solidariedade e ainda não veio. o problema nem é esse agora, eu só queria que a senhora...'
'senhorita.'
'desculpa. que a senhorita soubesse que tem um mau caráter aí na lbv, que não se prestou nem a me ajudar. e que nem tinha idéia de quem é o seu paiva netto.'
'eu também não sei de quem tu tá falando. olha, liga outra hora e pede pra falar com a sandra, eu não tenho nada a ver com essa história de maratona. nem gosto de esporte, pra dizer a verdade. se tu quer uma maratona, fala com a sandra quando ela chegar.'
'mas meu deus! e quando essa sandra chega?'
'eu que sei? sei lá, fala com o tal paiva, tá na hora do chefe me comer, ahn, do chefe comer e eu não posso ficar aqui perdendo meu tempo com um qualquerzinho que quer uma maratona. se quer maratona, liga pro cob.'
'mas o paiva netto é teu chefe! ele é o dono da lbv!'
'nã nã. meu chefe é o seu mangabeira aqui, e ele não pode falar com ninguém agora.'
'eu vou denunciar vocês pro governo! pros milico! isso não vai ficar assim!'
'ai, que meda. faz assim, vai dar uma voltinha na quadra que passa. tchau.'
'mas que tutututututututututututu'
'sujeitinho xarope.'
'quem era, dona claudinha?'
'um talzinho aí que queria uma maratona. gente chata, não sabe que aqui é a lbv...'
'tá bom, dona claudinha. agora abaixa.'
'ai, seu mangabeira, o senhor é tão macho!'

'de todas as maldade que tu já me fez, essa foi a pior!'
'que nada, eu posso ser mais pau no cu ainda. quer ver?'
'eu não posso ver! lembra que tu me furou os olho mês passado?'
'ah, é...'

'escorraçado fui de todos os lugares. por isso estou aqui.'
'deve ser um saco isso.'
'a tristeza que me move para longe não pode ser dirimida por nenhum agente humano. em espírito minha redenção dar-se-á na eternidade, vasta e infindável.'
'legal isso.'
'que te traz aqui?'
'oficial de justiça. tu tá despejado.'

'mas ela tem peitão...'
'não interessa se ela tem peitão! tu tem que te casar com uma prima que nem eu. essa é a tradição da nossa família, sempre foi assim, por jesus.'
'mas as nossas prima paraibana não têm peitão... a inga tem.'
'a vida não é feita de peitão.'
'a inga é.'
'não interessa! lembra da tradição! a tradição! paiê! o duda não quer casar com uma prima paraibana como eu fiz! ele só fala dos peitão da inga!'
'peitão da inga? quem é inga?'
'a sueca que trabalha no zoológico, pai. eu amo ela. ela tem peitão.'
'peitão? qual o tamanho?'
'assim, ó.'
'minha nossa! tudo isso?'
'é, pai. eu amo ela.'
'casa com ela, ué.'
'paiê! tu tá esquecendo a tradição! a tradição!'
'é mesmo. tem a tradiçao. não pode, tem que casar com a tua prima paraibana.'
'mas pai, a inga tem peitão...'
'olha, se for desse tamanho mesmo, até pode dar uns amasso, sabonetinho, sabe como é, mas casar não, tem que ser com uma prima tua lá das paraíba.'
'nããããõ!' - chora copiosamente, gesticulando um par de peitões no ar.'
'é isso aí, pai. bem dito.' - e pensa que se ele tem que agüentar uma paraibana sem peito, o irmão mais novo também deve.
'tudo bem, filhão. tudo pela tradição.' - e pensa num jeito de conseguir o telefone da inga, pra um sabonetinho.

'ainda assim não vejo nada de novo por aqui.'
'eu me esforcei bastante nisso.'
'quem sabe tu não coloca uma que outra conquista, um caso qualquer com outra estrela, ou quem sabe com a madonna?'
'mas eu não posso mentir. tem que ser isso mesmo... e, além do mais, todo mundo comeu a madonna.'
'eu não.'
'eu sim.'
'tu também?'
'como eu disse, todo mundo comeu a madonna.'
'então bota isso também. eu comi a madonna.'
'mas tu não comeu!'
'não interessa. e não tem nada de novo pra mim aí.'
'mas é exatamente isso. tu não pode ver nada de novo, senão não seria tua biografia.'
'não tô gostando disso. só um boquetezinho dela, vai...'
'não posso, senão deixa de ser tua biografia. e eu não quero perder um processo pros adevogados da madonna.'
'como assim perder? que falta de fé é essa?'
'a madonna sempre vence.'
'nem sempre. e teve aquela vez que eu quase comi ela...'
'mas não comeu, e eu não vou mentir na tua biografia.'
'mas quase comer a maddona vale, eu acho.'
'tu não tinha me contado isso. acho que não se encaixa na tua biografia algo assim.'
'tá, eu nem quase comi a madonna, satisfeito?'
'tudo bem. é isso então. sem madonna. tá tudo completo.'
'...'
'vou mandar os manuscritos pra editora.'
'...'
'em duas semanas a revisão e a edição estarão completas, se tu concordar com tudo.'
'passar a mão na madonna vale?'

sexta-feira, maio 02, 2003

homenagem

seu nome não era dos mais usuais.

tirol.

era esse o nome dele. não sabia de onde vinha - o nome, claro, sua mãe era do bom fim e o pai do partenon - mas sabia que existia um restaurante com seu nome, inclusive com telentrega, um bom restaurante, pelo preço, se descontada a taxa de entrega.

não sabia de onde vinha o nome.

seus pais morreram num desastre de avião quando tinha um ano, adoravam viajar, deviam ter morrido felizes, achava, e fora criado por sua avó surda, que pronunciava seu nome assim: tinhól, fanha da surdez parcial congênita, filha de primos há muito idos, em tempos mortos. alemães, diziam que eram; diziam as fotos do álbum de família, pois a avó dizia 'ãlinhã' pra alemão, não dava pra entender direito.

até que um dia, na aula de história, descobriu o tirol se tratar de uma região geográfica, e por isso a homenagem, que nada mais era que uma forma de lembrar mais um roteiro de viagem que os pais queriam fazer, pois lhe faltavam recursos pra lembrar todas as viagens que gostariam de fazer, e o filho fora um bom recurso mnemônico, afinal. pena que morreram na viagem pra lá, viagem que ele cumpriria, em homenagem aos pais, mas não pra lá, pro tirol.

iria pro lugar que lhe deram de apelido no colégio, devido à constituição física.

somália.

bom, pelo menos ainda podia jogar futebol com um apelido desses, e não deixava de ser uma homenagem.

um cenário simples e limpo, era só o que tinha pela frente.

uma passada de vassoura aqui e ali, um pano úmido, não molhado, um pouco de pinho e tudo ficaria novo.

com um pouco de óleo de peroba, fez o corredor virar uma aventura tamanha.

oito enfermeiras fraturadas, uma paciente da plástica com o peito estourado, dois médicos com concussão e uma maca arranhando a parede e causando a morte instantânea do paciente pela queda do reboco foram o saldo da brincadeira.

ah, esse almeidinha, sempre espirituoso...

o sonho de um mentiroso

só podia ser um sonho de muito mau-gosto. mentiroso que era, sabia que não podia confiar em nada que dele partisse, nem mesmo no subconsciente.

muito menos, aliás.

era assim que encarava as coisas e acontecimentos dos últimos minutos, um sonho de muito mau-gosto, uma peça burlesca que sua mente fértil pregava em si, e em todos os figurantes do sonho, inclusive a luma de oliveira, que já tinha comido mas ela negava por causa do eike, sabe como é, e dizia isso batendo de leve com o cotovelo na barriga do ziraldo, ao seu lado, que como ele, nunca brochara, nem mesmo em sonho. nem mesmo naquele sonho, mas o ziraldo não acreditou e disse pro aleister crowley - de quem o mentiroso fora discípulo - que não tinha entendido bem aquele negócio de mágicka através de punheta, pois só fazia emporcalhar azulejo com a ejaculação e nada de desejo concretizado. crowley disse que o mentiroso, ali perto, saberia melhor como executar o ritual, pois fora daquela maneira que comera a luma, agora lá no canto, sendo fotografada de contra-plongée pelo duran, que piscava o olho pro mentiroso com uma expressão de 'essa eu também peguei', o mentiroso não entendeu muito bem, achando que era um flerte do fotógrafo, e foi até ele, tirar satisfações. sabendo que aquilo só podia ser um sonho, de muito mau-gosto, o mentiroso foi lá e cagou oduran a pau, entre gritos acastelhanados de pára, pára, e o segurança dele, um brutamontes loiro, empurrou o mentiroso pro lado, derrubando-o. levantou de um só pulo e avançou-se no grandalhão e deu-lhe um mata-leão, técnica aprendida diretamente de vitor belfort, que, diziam as más línguas, compartilhara da feiticeira com ele, que confirmava a história. o segurança desmaiou em segundos, e o mentiroso pôde finalmente pedir o autógrafo pro nelson ned, ansioso pelo enterro do anão.

de um cigarro

eu acendo e fico aqui esperando, escrevendo enquanto ela chega, se é que chega mas disse que sim, então é melhor resignar-se e esperar na companhia dos pensamentos preocupados pela demora e de um cigarro não muito forte, pois acordei respirando pesado, e pensando o quanto um cigarro pode ser mau mas sempre bom quando se precisa de um, ou se acha isso, como é o caso comigo, um primeiro trago no bastão, e só agora percebo as cinqüenta linhas perpendiculares da coisinha, do caminho do fim do filtro até a parte acesa, mas logo no primeiro trago três delas se perdem pra sempre, e eu vou perdendo um tempinho de vida, calculado por alguma junta de médicos herdeira da geração dos anos quarenta que receitava os mesmos cigarros - não os mesmos mesmo, porque esses já foram fumados há tempos - como calmante, e agora ficam nos enchendo de remédios e meditações e práticas duvidosas, apesar de achar que uma bela de uma trepada ainda é o melhor pra acalmar, mas como não posso isso no momento, fico com o cigarro que se esvai entre os dedos amarelados e unhas roídas pela espera que parece não ter fim, e ela não chega nunca, mas deixa disso, o cigarro, o cigarro pra acalmar e esperar, esperar mais um cigarro, já foram alguns nos últimos minutos, não sei quantos, a bateria do celular acabou, não tem relógio público, e o de pulso eu aboli há muito depois de ter um terceiro roubado, problema meu, o negócio é ficar esperando enquanto ela não chega, mas é sempre assim mesmo, eu sempre fico esperando, aumentando ansiedade e preocupação, as ruas andam estranhas pelas pessoas ultimamente, mas talvez tenha sempre sido assim, talvez só noticiem mais as coisas, como os suicídios, que não são notícia a menos que frustrados e por mais de uma vez já desejei ver alguém aterrissando e se espatifando no chão ao meu lado, tipo nos desenhos quando o cofre cai em cima do coiote, meu beiço esquenta e mal percebo que o cigarro já finda, esquentando meus dedos que já sabem bem o que fazer, girar um pouquinho, apertar, mirar em algo que não alguém e pronto, acabou-se. mas ela ainda não chegou.

talvez mais alguns cigarros e eu consiga por fim minha insuficiência respiratória de vez.

quarta-feira, abril 30, 2003

RELATÓRIO DOS ACIDENTES AERONÁUTICOS DE 2002 (parte 2)

06 FEV - Particular - Cessna 206 C - PT-DCK
A aeronave decolou de Campo Grande (Teruel Ipanema Estância - SSIE) para
Ibaté - SP (SDIE), com três pessoas a bordo, a fim de realizar vôo de
manutenção. Na altura da Fazenda Fittipaldi Citro, município de Araraquara -
SP, de acordo com informações da pessoa que pilotava a aeronave, ocorreu
perda de potência no motor, tendo decidido por um pouso de emergência na
pista da fazenda. Durante a aproximação final, a aeronave colidiu com
laranjais a cerca de 300 metros da cabeceira da pista, sofrendo avarias
graves. Seus ocupantes, entretanto, permaneceram ilesos.

O condutor da aeronave não era habilitado e a aeronave estava com o
Certificado de Aeronavegabilidade, a Inspeção Anual de Manutenção e o Seguro
Aeronáutico vencidos.

10 FEV - Particular - Airtractor AT-402 A - PR-MPC
A aeronave realizava a aplicação de defensivo agrícola em uma plantação de
soja na Fazenda Leonardo, localizada no município de Itiquira - MT. Após a
realização de um "balão" (reversão ao final da passagem), ocorreu um desvio
e a aeronave tocou com a ponta da asa esquerda no solo, após o que
deslocou-se por cerca de 100 metros sobre uma plantação de algodão. Ao final
desse percurso, a aeronave incendiou-se, o que provocou a morte do piloto,
que não conseguiu abandonar o "cockpit". A aeronave ficou em estado
irrecuperável.

18 MAR - VARIG - Viação Aérea Riograndense - B 727-100 - PP-VLV
A aeronave, com três tripulantes a bordo, voava de Salvador - BA (SBSV) para
Confins - MG (SBCF), cumprindo vôo regular de transporte de carga. Ao
efetuar o pouso no Aeroporto de Confins, às 22:20 hs (local), após rolar por
alguns segundos na pista, a aeronave perdeu o seu conjunto de trem-de-pouso
esquerdo, que colidiu com o motor do respectivo lado. Em seguida,
deslocou-se sem controle efetivo, apoiada em sua asa esquerda, girando e se
posicionando no sentido contrário ao do pouso. Todos os ocupantes saíram
ilesos, mas a aeronave sofreu avarias estruturais graves.

05 ABR - Semear Aviação Agrícola - EMB-201 (Ipanema) -PT-GUU
A aeronave estava realizando um vôo para aplicação de produto agrícola em
área da Usina Caité, em Maceió - AL. No primeiro vôo do dia, na 4ª passagem,
quando efetuava o "balão", o piloto avistou uma rede elétrica. Mesmo
tentando desviar-se, ele não conseguiu evitar que a ponta da asa esquerda
colidisse com a rede, o que fez com que perdesse o controle da aeronave.
Recuperou uma tendência a entrar em dorso, mas colidiu em atitude picada com
o solo, com a aeronave incendiando-se após a queda. O piloto sofreu
ferimentos leves.

11 ABR -Aeromil Táxi Aéreo - BK-117 C - PT-YSP
O helicóptero realizava um vôo de treinamento de monomotor a baixa altura
(200 pés) sobre uma pista de ultraleves no Sítio de Aviação da Represa de
Guarapiranga, em São Paulo - SP. Após a redução do motor Nº 1, houve
acentuada perda de rotação do rotor principal. Em seguida, com atitude
cabrada, aeronave tocou o solo bruscamente com o rotor de cauda e o esqui de
cauda, perdendo o "tail boon". Com os impactos, a aeronave capotou, parando
entretanto em posição normal. Os danos verificados foram graves, o piloto
saiu ileso e o aluno e uma passageira sofreram ferimentos leves.

quinta-feira, abril 24, 2003

abandono, almôndega e deus ex machina

e enfim, tudo o que restava era um pouco de arroz, um quase nada de macarrão alhióleo, um pouco de mágoa distante, tristeza no olhar e uma dor de barriga psicossomática, nunca psicossodomita. a cozinha, com um ar gelado de inverno, um cheiro de frieza e uma luz branca e impiedosa, só deixava ver que nada ali seria o que fora antes do derradeiro fim, redundante como a chama azul do gás que sim, acabaria em breve se não tomasse as devidas medidas. mão arranhada no rosto inchado de sono e abandono, um sorriso ecoando na memória do que fora um casmento feliz muito mais que na aparência, sabia ser irreversível o fim, derradeiro e redundante, errôneo.

eu também acho um erro maltratar alguém assim, alguém que nem conheço, acho que seria mais fácil se eu desse pra ele um instante de felicidade suprema, um breve instante pra que esse persoagem abandonado e velho e incapaz de cozinhar qualquer coisa se sinta melhor, talvez como eu vá me sentir depois de fazer isso com ele, acho ainda que é mais fácil maltratar alguém próximo, um gesto augusto, diria, já que o augúrio não é dos melhores para esse senhor agora solitário, materializando numa lágrima o jantar da fugidia, cônjuge de ingratidão, coitado dele.

então, ao abrir uma panela pequena que estava no forno, não é que achou uma almôndega enorme, quentinha e suculenta? que bom, que bom, será que ela teria deixado aquilo ali assim bonito pra ele ou foi só algo que saiu da minha mente conturbada pra satisfazer um espírito bestamente altruísta de fazer uma vida melhor - ainda que breve, com a duração de só uns parágrafos, uns caracteres e vírgulas mal-colocadas? enfim, não sei, a almôndega ali, ele aqui, comeu e comeu e comeu, no misto de amarelo, branco e vermelho do prato singelo que montou, no equlíbrio do desenho da bola de carne temperada em contrapartida ao arroz um pouco grudado e do macarrão cheiroso que degustou como sempre fizera, sem nunca elogiar, e talvez por pouco ou nada falar e conversar, sua presença ausente tivesse feito ela executar a presente ausência, o abandono. não, chega de falar disso, deixa ele saborear bem a comida.

terminou?

'hmmm, maravilha! esse tempero da ângela é o melhor!'

é? liga pra ela, diz o quanto faz falta, o quanto tu sabe que fez falta, tenta conversar, não fica assim, a história tá quase acabando, a tua história, tô feliz por ti mas tô cansando de digitar.

'tu acha?'

acho.

'não sei... dá uma tristeza... e eu tenho meu orgulho...'

orgulho? seu merda. olha isso então: e ele, por causa de um orgulho infantil, teve a pior diarréia de sua vida. um último toque dela em sua vida. e um último toque meu em sua vida: ficou sem poder sentar durante uma semana, hemorróidas. espero que ele ligue pra ela agora. não me interessa mais.

derrota

o que interessa saber é que num combate, seja qual for mas sempre é de bom tom que seja um bom, o tom e o combate, há um vencido e um vencedor. ou um perdedor, mas já temos essa palavra por demais aqui. vide acima, na descrição. sendo assim, sendo acima, sendo aqui, ele sabia que seria o vencido, seja pelo cansaço do dia de trabalho, seja a mão escaldada no cafezinho servido por si mesmo no minúsculo copo plástico com a justificativa de contenção de despesas corporativas adicionada á tremedeira de nervoso pelos prazos que chegavam sem aviso - muito mais próximo do aviso prévio que ontem e muito mais longe que amanhã - seja pelo que for, já que não me agrada a idéia de devassar a vida do coitado que a cada segundo, esforço, bufada e tenttiva, via a vitória escorrendo pelos dedos junto com a rosca inexpugnável, imperscrutável, inviolável.

naquela noite, naquela janta, não tiveram pepinos em conserva.

mas tudo bem, sempre haverá sardinhas. mesmo pra ele, canhoto escaldado que era.

ivannoedis macrofagvs - romanvm

'vastvm laminvm fac tvtvm.'
'não entendi.'
'accessorium semper cedit principali.'
'tá achando que falando assim vai me comer?'
'correctvs est, ita speratvr.'
'ih, não tô gostando disso...'
'ignorantia juris neminem excusat. vide?'
'vi o quê?'
'res, vastvm laminvm. immensvm est.'
'nossa!'

consvmmatvm est.

bão, o porquê da ausência:

EU ESQUECI QUE TINHA UM BLOG.

é isso. tô de volta.

memória besta.

um beija-flor de entrada

chegou de mansinho, esquivando-se de cubículos assépticos brancos de fórmica asséptica branca com computadores assépticos brancos com pessoas assépticas brancas de camisas assépticas brancas, sentou-se na cadeira preta de seu cubículo asséptico branco de fórmica asséptica branca, levantou, olhou em torno, meio cego pelo sono e pelo branco, e gritou, apontando pros genitais:

'desenhem isso aqui, seus filho da puta!'

mudou de seção, depois de dias de psicólogo institucional.

foi trabalhar na redação, fazendo slogans pra varejo.

enquanto isso, na floresta

'me beija?'
'mas tu é um sapo nojento e gelado que respira pelo couro!'
'ah, tá, senhora perereca aristocrata!'
'perereca não! eu sou uma rã! a rã mais gostosa do banhado. e vou virar prato fino numa mesa chique. tu vai ver só. deixa descobrirem meu talneto batráquio.'
'tomara que tu ganhe um beijo dum mendigo e vire uma mocréia sem dente.'
'ah, olha só quem falando. eu acho que tu viu tevê demais, sapinho melado... nunca uma princesa vai vir aqui te beijar pra tu virar príncipe.'
'quer ver? espera passar a primeira gostosa por aqui.'
'rá! três anos esperando um beijo de mulher... coitado.'
'coitada de ti! fica aí se malhando toda pra nada. ninguém passa por aqui, nunca!'
'e verdade... nunca vi ninguém por essas bandas...'
'viu?'
'...'
'me beija?'

continua...

'tô tããããõ feliz que tu é só meu agora!'
'também pudera. me corta as perna e os braço e me deixa trancado nesse baú...'
'vi num filme.'
'encaixotando helena?'
'nãããã... goonies. tem aquele baú do tesouro, sabe? tu é meeeeeu tesouro. sóóó meu.'
'maldita infãncia conturbada. ah, se eu pego o puto que inventou a sessão da tarde...'
'e amanhã a gente vai dar uma volta numa ferrari vermelha do pai de alguém.'

'tio, o que é dadaísmo?'
'senta aqui no colinho do titio que ele explica. pronto. dadaísmo é o que tua tia janete fazia. ela saía e dava, dava, dava, dava, dava, dava. por isso o titio descarregou um trezoitão na cara dela.'
'que legal, tio! quando eu vou poder fazer isso?'

adianta dizer que a menina cresceu e prestou vestibular pra letras?

adianta dizer vida besta?

vão arranjar o que fazer.

'te liberta!'
'não enche.'
'sai desse casulo e alça teu vôo.'
'ah, vámerda.'
'rarararararararara! tchau, tenho muita néctar pra beber, mané.'
'se fuder.'

borboletas precoces são muito mimadas.

signore luigi, o fazedor de salsichas

'bem, queridos alunos, hoje é dia de conhecer algumas posições de yoga.'
'yoga? tutti molenga, non?'
'arrã. como bem disse nosso aluno, o yoga trará flexibilidade e felicidade às vidas de vocês. a pri meira posição que tentaremos é o despertar do faisão.'
'faisón? muito musculati, non?'

fez salsicha.

'o que te dava prazer não dá mais? esse é teu problema?'
'isso. o que eu faço?'
'olha, é facinho. arranja outras coisas pra te darem prazer... abstrai um pouco e procura novas formas.'
'mas eu não sei...'
'tu já leu a folha?'
'não...'
'filme iraniano? já viu algum?'
'nunca... deve ser um saco...'
'já fez meditação no-mind?'
'ih, nem sei do que se trata...'
'então pega esse ingresso, assiste esse filme, dá uma lida na folha, medita no-mind e depois vem conversar comigo.'
'valeu, doutor.'

mais um que deu a bunda.

'eu só queria que tu pensasse um pouco antes de fazer isso comigo.'
'que nada, calaboca.'
'pensa bem, olha lá...'
'já disse pra calar essa boca e virar.'
'pensa no kant.'
'se pensar nele eu brocho.'
'nada que tu faça deixa de trazer conseqüências pra ti mesmo.'
'eu tenho bons adevogados.'
'tá, mete.'

'mas que saco esse lugarzinho que tu aranjou, hein?'
'pô, pára de encher. curte a paisagem...'
'paisagem? aqui só tem areia e pedra! ô lugar de merda!'
'o pacote de viagem tava na promoção, o que tu queria que eu fizesse? deixar passar uma dessas?'
'que deixasse passar a tal promoção! não tem ninguém aqui!'
'mas o mare tranqulitatis é um dos lugares mais bonitos do universo...'
'e daí? não tem nem um boteco! mare tranquilitatis, bela merda...'
'tá, tá, tá... pára de reclamar e de pisar no meu tubo de ar.'

o prédio mais alto do mundo

era onde estavam os dois, lá em cima, dentro do elevador, pois tinham visitado o terraço, onde nevava e de onde se podia ver as nuvens de chuva por cima, além do clichê das formiguinhas. e, bem, eu mesmo não queria dar uma notícia dessas pra ninguém, não gosto de ser o portador da desgraça e coisital, mas o fato é que o elevador paroude funcionar asim que suas portas fecharam. paroude funcionar não é bem o termo, já que ele começou a descer vertiginosamente, devido ao rompimento dos cabos e posterior falha do sisema de segurança, o que se resume uma queda livre dentro duma caixa de metal e vidro, lá do alto do prédio mais alto do mundo. simples. ele apavorou-se logo de imediato, ali, com uma mulher estranha porém bem interessante como companheira de infortúnio vertical; ela, só fazia segurar-se na grade de ventilação, na parte de cima, e a grade caiu por cima dela, não era feita pra que alguém ali se segurasse, e ele a acudiu, perguntando se estava tudo bem. tudo bem? como pode estar tudo bem se a gente vai morrer daqui a pouco!, foi a contundente resposta dela, enquanto o som do ar deslocado pelo elevador falho aumentava ao redor deles, ele pediu calma e perguntou se ela protestava alguma religião, e em caso de negativa disse que seria um bom momento pra começar, ela respondeu que em nada acreditava senão na lógica, razão e ciência, ele logo dizendo que esses campos do conheciento englobavam a arquitetura e a engenharia, que no momento faziam daqueles os últimos momentos deles, e que seria melhor reconsiderar as crenças, pro inferno com as crenças, me deixa morrer em paz, ele, quieto, ouvindo o ranger e cliqueclaquear atritoso que aumentava dentro e fora do cubículo, misturando-se aos pensamentos dos dois, que eram os mesmos, 'o que eu faria se soubesse exatamente o instante da minha morte, como agora?' trepar sem camisinha, trepar como um animal, trepar com um animal, sexo anal sem lubrificação, enfim, todos os pensamentos resumiam-se a sexo e variantes, então olharam-se, entendendo-se, o vento moldando os cabelos compridos dele, o tesão eriçando os cabelos curtos descoloridos dela, sorriram e atracaram-se, tendo por trilha o assovio constante e crescente que penetrava pela porta, e por fim o elevador chegou ao poço, estilhaçando-se em mil pedaços e matando os dois instantaneamente.

não tiveram tempo nem pra uma rapidinha. mal mal um beijo.

moral da história: vá de escadas.

segunda-feira, abril 07, 2003

museu de família

o pó se espalhou pela sala toda, em promiscuidade com o ar pesado e frio da tarde que morria ali fora, a metros de onde estavam os dois, onde acabavam de chegar, anunciando a invasão do espaço abandonado com um espirro dela, que logo teve um lenço de papel entre os dedos, ofereicdo por ele. olhos macilentos pela expulsão do pó e conseqüente satisfação da leve alergia, ela sorriu.
'bonita a casa, né?'
'parece.'
'a vó gostava muito de marrom.'
'percebo. primeira coisa é pintar tudo. isso aqui parece um museu.'
'foi um museu.'
'é? quando?'
'ih, faz tempo. muito tempo mesmo.'
'mas era museu de quê? tua vó era o quê? curadora?'
'museu de cera de ouvido. ela era a faxineira.'
'cera de ouvido? que nojo! essa tua família...'
'já disse pra não falar assim da minha família.'
'tá, desculpa, amor.'
'tudo bem, mas não faz de novo.'
'sabe...'
'atchô! hein?'
'por que um museu de cera de ouvido precisaria de uma faxineira?'
'mas que pergunta imbecil!'
'ué, por quê?'
'claro que precisava de faxineira! tu não sabe que cera de ouvido atrai vespa?'
'é? mas pra isso era só dedetizar e colocar tela nas janela.'
'um museu com tela! onde já se viu?'
'ué, o louvre tem um montão de tela e ninguém estranha...'
'engraçadinho.'
'não resisti.'
'atchô!'
'saúde.'
'brigada. agora a gente tem que dar uma limpada nisso tudo.'
'sabe...'
'que foi?'
'tem uma coisa que eu não entendi ainda. como a tua vó era dona daqui se foi só faxineira quando era museu?'
'ah, isso é fácil. o võ não sabia, mas ela tinha um caso com o dono do museu, que era louco por ela. daí, o resto é concubinato. herança daqui, herança dali, e agora a casa é minha.'
'nossa casa. essa tua família...'
'atchô! já disse pra não falar da minha família!'
'e o que que a gente faz depois de limpar tudo? vender a casa?'
'que nada. eu vou realizar um velho sonho da vó.'
'sonho?'
'é. ela sempre quis reativar o museu, mas com algo mais. agora vai ser museu de cera de ouvido e canil pra cachorros de três pernas, e vai ter o nome dela, em homenagem.'
'mas tem um problema. não dá pra coseguir mais tanta cera de ouvido hoje em dia, com tanto cotonete e pagode por aí...'
'eu já pensei nisso. vai ser um museu-canil interativo. pra entrar, não precisa pagar nada, é só doar um pouco do que se tem. pensei num solgan até: você, atchô! encerando a história.'
'meio fraco. acho melhor tirar o espirro da frase. mas enfim, se tu quer assim...'
'atchô!'
'saúde. toma outro lenço. e os cachorro?'
'que que tem?'
'onde tu vai arranjar cachorro de três perna pra fazer o tal canil?'
'outro segredo de família. o tio clóvis é lingüiceiro, lembra?'
'claro, eu adoro a lingüiça do clóvis.'
'ririririririririririririririririririri!'
'que foi?'
'eu adoro a lingüiça do tio clóvis! nem percebeu a bobagem que falou. mas é, ele faz a lingüiça só com as pata de trás direita dos cachorro que acha pela rua.'
ele vomita. ela espirra.
'que nojo! e tu nunca me falou nada disso!'
'ué, e por acaso tu perguntou?'
'eu nunca mais como aquela porcaria! essa tua família das biboca dos inferno!'
'não. fala. assim. da. minha. fa-mí-lia. mas o negócio é que daí a gente já tem um monte de cachorro pra ter no canil. e tu acabou de dizer que adora a lingüiça do tio clóvis. moreu pela boca.'
'tá, é boa mesmo. vou pegar as vassoura no carro.'
'não demora. atchô!'

'sabe quanto tempo eu fiquei sem falar com ninguém?'
'não, nem imagino.'
'pois é, eu perdi as contas. a coisa mais impressionante quando tu tá sozinho é que o tempo é moldado de acordo com o teu desespero.'
'ah...'
'mas não é isso que eu queria dizer, eu nem sei mais o que eu queria dizer, é que eu fico assim sozinho, não falo com ninguém e finalmente tomo coragem um dia de te ligar e te dizer o quanto gosto de ti, o quanto sempre gostei, a importãncia que eu não te dei e tudo o mais, quantas vezes eu, na reclusão que busquei, fiquei ensaiando isso comigo mesmo, sempre respondendo mal, sempre me humilhando, eu não sei por quanto tempo, eu não sei mais falar com ninguém, acho.'
'...'
'então?'
'então o quê?'
'tu também gostou de mim como eu ainda gosto de ti?'
'não sei.'
'não sabe?'
'claro que não. a única coisa que sei agora é que tu ligou pro número errado. aqui é uma padaria, não a casa da shirlêi.'
'...'
'alô?'
'não, tá, eu devo ter ficado muito tempo recluso... é isso, ela se mudou daí faz tempo?'
'eu já disse que não sei da tal shirlêi. mas eu acho que a padaria tá aqui faz uns quatro anos... eu só trabalho aqui faz três mes, na telentrega..'
'quatro anos...'
'é.'
'tudo bem. faz o seguinte, então. me traz duzentos grama de presunto, duzentos de queijo, manteiga sem sal e uns cinco pão massinha.'
'qual o endereço?'

deserção

'sabe do que que eu sinto falta?'
'da tua mulher?'
'nãããã, tô bem com a maria palma.'
'do que que tu sente falta, então?'
'da calmaria de bagdá.'

assim foi o recomeço da vida deles no rio.

'tá protegido?'
'óbvio. tô usando a minha guia.'
'não, não é bem isso... tô falando de proteção, sabe?'
'ah, proteção... tenho ums três aqui na carteira.'
'não, ananás! proteção de verdade!'
'ah, entendi. meu trezoitão tá no porta-luva.'
'ufa, agora tá tudo bem. já podemo subir.'

mais um dia no sopé.

senta. levanta.
assim mesmo. sem pensar por quê, sem sentir nada.
senta. levanta.
assim mesmo. sorri, sem saber por quê.
senta. levanta.
assim mesmo. respira fundo. relaxa. ou já estava relaxado? não sabe.
senta levanta.

aquela pomada nova pra hemorróidas era mesmo uma maravilha.

a: 'precisamos de um novo líder. corona se bandeou pro outro lado.'
b: 'ah, não, vai começar tudo de novo...'
c: 'malditos mestiços!'

e segue o baile no organismo infectado pela sars.

'putz! olha aquilo ali!'
'hmmm, parece com ela, não?'
'é ela!'
'eu só tinha visto na tevê. é bem mais bonita que parece...'
'é, né?'
'arran. pena que vai ser a última coisa que a gente vê...'

a onda de choque da bomba atômica chegou até eles, em questão de segundos.

'já disse que não.'
'ah, deixa, vai... só uma vez...'
'não, atrás não!'

às vezes era terrível namorar um centauro.

sexta-feira, abril 04, 2003

conga, a mulher gorila, maria, lis, e todas essas juntas

meio sentado, meio deitado em seu sofá de seu quarto-e-sala, o telefone tocou. não esperava ligação alguma, então atendeu com um certo receio.

'alô.'
'e aí, meu? tudo bom?'
'não, nada bom. tomei um trago ontem que nem te conto.'
'então não conta...'
'ah, vámerda.'
'olha só, eu te liguei pra dizer uma coisa que eu tô querendo falar há um tempo...'
'ah, não vai dizer que tu é puto também!'
'que nada, meu... tá de palhaçada comigo?'
'não, não. que que é, então?'
'eu nunca passei por isso antes, sabe? é um mundo novo que se criou pra mim, nesses últimos dias. eu fiquei boa parte da minha esperando que algo assim acontecesse e quando vi, tava lá, na minha frente, esse tempo todo. eu só tinha que enxergar e dar um empurrãozinho de nada. cara, tô feliz pra caralho... ah, maria... maria... tô apaixonado!'
'...'
'e aí, não vai dizer nada?'
'...'
'alô? tá aí ainda? alô?'
'tô, tô aqui. desculpa, eu cochilei.'
'puto! eu aqui me abrindo todo e tu nem ouvindo tava...'
'tava sim, tu tava dizendo que tava esperando um mundo novo e aí te deram um empúrrãozinho, algo assim.'
'não! nada disso! eu disse que tô apaixonado!'
'...'
'dormiu de novo?'
'não, isso foi perplexidade.'
'ééé... tu tem que ver como a minha mãe ficou quando eu contei...'
'imagino.'
'e aí, não vai dizer nada?'
'não sei. ela já liberou o anel?'
'caralho! que tipo de pergunta é essa?'
'mina apaixonada libera o anel. certo que libera...'
'ah, tá... eu nem peguei ela ainda...'
'como assim 'eu nem peguei ela ainda?''
'não pegando, ora. mas eu já me declarei e ela topou. só não quer que a gente faça aqui em casa por ausa da minha mãe, que é evangélica...'
'desde quando tua mãe é evangélica?'
'desde que ela viu que a gretchen também é. a gretchen sempre foi o modelo dela...'
imaginou a mãe do amigo come-ning de shortinho fazendo o piripiri. preferiu mudar de assunto. - 'tá, e onde tu vai traçar a mina, então? grana pra motel eu sei que tu não tem e eu não vou te emprestar.'
'aí é que tá... eu tava pensando...'
'ai, ai, ai.'
'sabe como é, eu não sou de pegar muita mulher, tu sabe...'
'sei.'
'pois é, daí eu percebi que tu me dá sorte pra essas coisas, sempre deu...'
'e.?'
'ahn, tu deixa eu levar ela aí?'
'mas nem fudendo! te lembra o que aconteceu da última vez que tu trouxe mulher pra cá pra casa? tu trouxe uma mocréia levitadora pro meu quarto, imundiciou os lençol tudo que eu tive que mandar desinfetar junto com o colchão, e eu ainda fiquei com fama de viado depois que o davi te viu usando a calcinha da mocréia na minha sala! eu nunca mais peguei ninguém depois daquela vez, a gente deixou de ganhar uma grana com a mocréia levitadora e eu ainda tive que dar um vale-transporte pro bicho ir embora daqui de casa! e o pior, ela deve achar até hoje que eu brochei com ela, e não tu! tu brochou e eu levei a fama! e agora quer trazer uma sei-lá-o-quê que tu te apaixonou pro meu apê! sem noção, ô!'
'pô, cara... eu já disse que foi mal... dessa vez vai ser diferente...'
'é? tu vai trazer uma ariranha pra cá? é isso? desisitu de pegar mulher e partiu pros bestialismo?'
'quéisso, meu... não exagera... ela nem é feia... a maria é gatinha...'
'não.'
'pô, eu te deixo ficar uma semana com o playstation.'
'não.'
'tá, duas semanas, mais o tekken.'
'nada feito.'
'assim fica difícil.... um mês com o playstation, tekken, winning eleven, e ainda faço teus trabalho do semestre.'
'hmmm, tá. mas eu quero ver a mina.'
'e como eu faço isso?'
'simples. tu traz ela aqui, eu te deixo a chave e vou dar uma banda. depois tu liga pro celular do edinho que eu vou tar com ele num boteco, eu volto e tu me devolve a chave e leva a ariranha embora. rararararararararraarararararararrararara!'
'pô, não fala assim dela...'
'tá, desculpa. feito o carreto?'
'tá legal... daqui a pouco eu chego aí.'
'como assim daqui a pouco?'
'eu já tinha combinado tudo com ela. tava só espreando tu dar o pronto...'
'mas que puto! tá, tá. faz assim, já traz o play junto.'
'certo. eu só queria te fazer mais uma pergunta...'
'lá vem bronca. vai dizer que não tem camisinha?'
'não, isso eu tenho de monte. tu nem sabe, a mina tá numa fissura...'
'que que é, então?'
'eu ia perguntar se tu viu a levitadora outra vez depois daquilo...'
'vi, num circo, uns dia depois.'
'num circo?'
'é, ela tava trabalhando lá.'
'de levitadora?'
'não, ela era o gorila do número da conga.'
'sério?'
'arrã.'
'...'
'e aí?'
'nada... tava pensando no que tu falou agorinha... tu disse que não pegou mais mulher depois da vez da levitadora...'
'é, eu disse. e daí?'
'ué, como e daí? e a tal de lis que tu diz que pega direto?'
'ah, mas a lis eu só pego quando ela tá muito de trago. aí não vale'
'e o anel?'
'que anel?'
'o da lis, cara... já foi?'
'foi. três vez.'
'então ela tá muito apaixonada...'
'pode até ser, mas isso é só quando ela tá de trago. eu acho que se ela tá apaixonada, tá apaixonada por uma ceva. aliás, por um monte de ceva. tem que ver o que eu gasto pra pegar essa mina.'
'tá, tô indo aí.'
'não esquece o tekken.'
'podicrê...'

* * * * *

acordou com um ruído de cigarra ao longe, enquanto fugia de conga, a mulher gorila, que o perseguia levitando. olhou em volta, estava em seu sofá, ainda. na mesma posição, e com a mesma dor atrás dos olhos. interfone. era esse o ruído de cigarra que o salvara da conga. ainda bem. levantou-se, soltando um ai seco pela dor que sentia no corpo todo agora, cochilara desde que desligara o telefone, e imaginava se a conversa que tivera não fora um sonho. pensou em ligar pra lis. interfone.

'tá, tá, tá! já vai, porra.'
'e aí, meu?'
'sobe.'

terminou o copo de leite de um só gole, engolindo junto duas aspirinas e logo bebendo um pouco da sidra aberta na geladeira quase vazia. antes de atender à porta, ainda pegou uma fatia de presunto velho e ressecado, escurecido, que havia no plástico protetor mal fechado.

'ôpa...'
'ôpa. cadê a mina?'
'tá pagando o táxi. já vem. onde eu deixo o play?'
'ali, ó, do lado da tevê. táxi?'
'trouxe o tekken. é, táxi. ela não gosta de andar de ônibus...'
'parece a lis... tekken, massa. e a mina, é gostosa?'
'caralho! tem uns peitinho pequeno e durinho, não precisa sutiã nem vento... cabelo pretinho, pretinho, olhão castanho, um tesão!'
'parece a lis, até.'
'é mesmo?'
'arrã. a lis tá sempre de sainha curta, blusinha apertada, igual aquela mina que vem subindo as escada ali.'
'ah, aquela ali é a maria, a mulher da minha vida..'
'...'
'que foi? perplexo? gostosa ela, não? me dei bem...'
'caralho! aquela ali é a lis!'
'oi, tudo bom? maria elisa. peraí, tu não é o...'
'sou eu mesmo. que porra tu tá fazendo aqui? e a mina dele, cadê?'
'essa é a minha mina...'
'não! essa é a lis! a minha lis!'
'tua nada, palhaço. eu sou só minha.'
'putaqueteospariu! não pode ser! lis!'
'maria elisa.'
'por que tu não me disse que teu nome é maria elisa?'
'e tu peguntou, por acaso? tava sempre mais preocupado em me encher o rabo de cerveja pra tentar me comer.'
'como assim tentar? eu já te comi de tudo que foi jeito!'
'mas bem capaz! só se eu tivesse muito mamada!'
'mas tu tá sempre mamadaça quando eu te como!'
'ah, tá. vai querer me passar esse godô, agora? eu não ia pra cama contigo nem que fosse a gretchen!'
'ô, maria, não fala assim. minha mãe curte a gretchen...'
'azar o da tua mãe, seu bosta! o que que é isso? por acaso vocês dois tão de conchavo pra tentar me comer, é? é isso? e agora o que iam fazer, botar boa-noite-cinderela na minha bebida?'
'não é isso, lis.'
'maria elisa.'
'tá, que seja. não é isso. ele disse que tá apaixonado por ti. mas quem te pega sou eu! eu!'
'nunca! mentiroso!'
'ih, ele disse que tu até liberou o anel...'
'liberei o anel? como é? só mulher apaixonada libera o anel, todo mundo sabe disso! cachorro!' - tapa.
'peraí, foi três vez! e tu gostou!' - esfregando o rosto.
'ra! nojento!' - tapa. esquiva.
'maria, não fica assim. foi tudo mal-entendido...' - tentando segurar os braços dela.
'mal-entendido são vocês, de mulher! eu vou é embora. se quiserem, podem ficar se comendo aí à vontade, que comigo não tem jogo! vê se eu posso com isso!' - desvencilha-se.
'não faz assim, maria...'
'pô, lis, depois de tudo...'
'maria elisa! tchau pra vocês. e tu aí, tu me deve doze pila do táxi.'
'topa uma ceva na terça?'
'vão se fuder vocês! longe de mim!'

e desceu as escadas, a saia subindo a cada passo e ela ajeitando a cada três, furiosa. ficaram os dois ali, um com a mão no rosto, o outro, tão arrasado quanto, tirando os óculos pra deixar escorrer uma lágrima tímida. o silêncio voltou, quando o último degrau foi pisoteado pelo salto dela, lá embaixo.

'caralho, fudeu tudo...'
'nem me fala. ai, minha cabeça. que mão pesada. gozado que quando ela bate uma pra mim a mão não parece tão pesada.'
'...'
'não fica assim, cara. mina aparece, sempre. essa lis é uma chinela.'
'é, as que aparecem ou são levitadora ou liberam o anel pra ti quando tão de trago... merda de vida...'
'não fica assim. e agora é mulher gorila levitadora, não esquece.'
'tá, eu sei o que ela é... será que a maria vai me ligar de novo?'
'rarararararararararararararararararararararararararararararararararararararararararararararaa!'
'pô, não faz assim comigo, meu...'
'foi mal. não güentei. rerere.'
'...'
'foi mal, cara.'
'tá, tudo bem... que que a gente faz agora?'
'pois é. bom, eu tenho sidra e presunto na geladeira.'
'não gosto de presunto...'
'ah, é. esqueci.'
'...'
'sidra?'
'vamo...'
'tekken?'
'vamo! o eddie gordo é meu!'
'só deixa eu pegar mais umas aspirina antes.'

segunda-feira, março 31, 2003

Seis V ou Momento Autobiográfico

Turma, sentido! Era o começo do segundo ano do segundo grau. A saber, eu estudei da quinta série ao terceiro ano do segundo grau no CMPA - Colégio Militar de Porto Alegre, fato do qual me orgulho, entre outras coisas, por ter me ensinado a fazer bombas de ozônio – quem quiser a receita, mando por e mail; me ensinado a beber; a fumar no banheiro; a ter amigos de relevância inigualável, até que veio a faculdade. Igualável relevância, mas não superável, nunca. Amigos são amigos, com toda a sacanagem que advém disso. Mas estou me adiantando um pouco. Voltemos ao “velho casarão da várzea”, apelido dado ao educandário que me criou o maníaco que sou. Eu chamava de “prisão”, quando chateado, mas o normal era chamar de ceême (CM). Era o começo do segundo, a farda manchada por suor nas axilas, já que daquele ano em diante levou-se a sério a proibição de usar camisetas brancas – a famosa “baixeira”de manga curta por debaixo da de tergal cáqui – cor essa definida mais ou menos como um tom intermediário entre a areia de praia e o cocô de filhote de cachorro, bem no meio dos dois, e era essa a sensação que a gente tinha, ser um cocô de cachorro derretendo dentro de uma farda de tergal – tecido com propriedades térmicas, no verão derretia e no inverno congelava - enquanto todos os seres normais estavam nas areias das praias do país e, em menor intensidade, do estado, que não têm bem essa cor de areia de praia, já que nossas aulas começavam muito cedo do ano. Pra facilitar o entendimento, nosso litoral também é conhecido como Nescau sul. Ficou claro? Mas enfim, o fato é que as aulas começavam e aquela era a primeira aula de história geral do segundo ano do segundo grau – alguém ainda lembra o que era o segundo grau? Ôquei, correspondia ao ensino médio de hoje em dia. Naquela aula, o professor, um coronel reformado – acho, se não era reformado agora com certeza é, isso se ainda for vivo, claro... – que atendia pelo nome de Mabilde – o famoso “nome de guerra”, escolhido no primeiro dia de ceême e que acompanharia por todo o sempre o aluno ou o que quer que fosse, e adianto que eu atendia por Diego mesmo, já que o Silveira já existia e Salgado, convenhamos, não seria dos mais agradáveis. Silveira Salgado, se assim fosse, ficaria enorme e não caberia na biriba – plaqueta plástica de identificação que tínhamos no peito, ali pregada com percevejos e tampinhas de bic cristal, a tampinha menor aquela, que fica na parte de trás da caneta, e que geralmente pra pessoas de pouca habilidade motora como eu só sai quando se quebra a mesma na extremidade posterior; tampinha de valor inestimável, aliás, pra quem perdia o pregador da biriba. Então ficou Diego mesmo. É bom ser chamado pelo nome e não por um sobrenome, como ainda faço com colegas até hoje. Não é, Dietrich, Torres, Reis, Petter, Pacheco, Bertini, Etc?

E o Mabilde era uma figura ímpar. Sério, devia haver só mais uns dois como ele no mundo, e eu não tive a chance de conhecer os tais. Conheci só o Mabilde, professor velho, velho e calejado do ceême, “safo”, sabia todas as manhas dos alunos, ali dava aula desde os tempos em que não haviam mulheres na sala de aula e antes disso – isso acabou um ano antes do meu ingresso ali, em 1989. Não o meu ingresso, esse foi em 1990, com um presidente novo, um plano econômico novo, uma nova crise – que novidade... – entre outras coisas novas, como as saias pantalonas que as meninas usavam e que deixavam uma bela margem pra imaginação erótica aflorando junto como erotismo exacerbado da idade das trevas do quarto que é a adolescência. Trevas do quarto onde se descasca uma bem descascada, vejam bem. Mas voltemos. O Mabilde babava muito quando falava, falava muito, falava alto – normal, era um professor... – e ficava o tempo todo se controlando pra não dar com língua nos dentes e deixar sair um palavrão, uma ofensa chula – já que respeitava as meninas em sala de aula, não sei se fora delas - a um aluno desatencioso ou baderneiro, categorias nas quais eu me enquadrava com grande honra. Ainda me enquadro, mas chega de falar de mim, ao Mabilde, por favor. O fato é que ele sempre dava aula com um retroprojetor à disposição, já que não gostava de escrever no quadro pois o giz manchava o jaleco branco (!), e poderia apanhar de sua esposa se assim acontecesse. Eu imaginava aquele baita velhão, de pouco cabelo grisalho esparso até nas têmporas, com muito cabelo nos ouvidos, couves-flores até, eu dizia, apanhando da “Dona Mabilde”.

Ele sempre esquecia de pedir à seção encarregada – leia-se uns quatro soldados e um sargento, o Leiria – o aparelho projetor de transparências antes das aulas, e um aluno tinha sempre que ir lá do outro lado do pátio buscar o retro. Tive a honra duvidosa de executar tal tarefa, não sem dar uma paradinha no banheiro e dar umas pitadas num carlton com uma brasa enorme, compartilhada sempre com quem estivesse ali de aluno, às vezes até com soldados, mas nunca com sargentos, oficiais e qualquer um que pudesse me dedurar. Ele, o Mabilde, mandava que o Chefe de Turma – função ocupada a cada semana por um aluno diferente, de acordo com seu número de identificação; o meu era o 3105, um dos últimos sempre, pois a contagem voltou ao zero no ano seguinte ao que entrei e dois anos depois das mulheres botarem suas pantalonas e alimentarem a imaginação de espinhentos – fosse buscar o aparelho e lá se ia o guri, correndo caminhando ou se arrastando pelo pátio, buscar o retro. Às vezes, quando era alguém que se arrastava, ele ficava contando histórias, mas elas não nos interessam agora. As histórias são dele e quem sou eu pra ficar profanando a memória de outrem. O fato é que, toda vez que ele pedia pro – ou pra – Chefe de Turma buscar o retro, ele dizia “Seis V”. Sempre dizia isso. Naquela primeira aula, ele fez o pedido e disse “Seis V”. Ninguém entendeu, exceto um repetente que fez um muxoxo, mas os repetentes viviam de muxoxos. Ele, o Mabilde, explicou que, nos tempos em que não havia mulheres no colégio, era um pedido que ele fazia aos alunos pra que buscassem o tal retro, mas dali e devido à presença de moças só podia falar três dos seis v, que eram os seguintes: “Vai e Volta Voando!”

“Vai e volta voando, v... v... v...”

Na hora, instaurou-se o mistério. Pra mim, pelo menos. Eu sempre quis saber o que eram os outros três v. Claro que criei versões. Viado era certo que se achava entre os v’s faltosos, mas os outros dois eu nem imaginava, nunca descobri. Não quis perguntar pra ele pra não diminuir a distância entre aluno e professor – na época professor bom era professor morto, ou que faltasse à aula, o que era quase o mesmo – não pedi pra ninguém perguntar porque a maioria pensava como eu, tirando um que outro gênio ou puxa-saco que vivia pendurado em professor, mas esses tipos não eram confiáveis, ainda não são, acho, e fiquei ali, entre uma formatura e outra, entre uma prova e outra, imaginando o que seriam os v’s. Vadio, vagabundo, vampiro, vândalo, varapau, velhaco, víbora, vice-gerente, viciado, vilão, virgem, vulgar, enfim, xingamentos começados com v. Dicionário e tudo. O tempo passou, as babas e gritos foram-se tornando comuns, e o mistério do “Seis V” amainou-se, até porque a preocupação maior era entrar em contato mais profundo com outros v’s, do tipo vagina, vulva, vira-vira, vodca, vermute, vinho, vicadin, valium e cerveja, que só falha de ter uma sílaba antes do derradeiro v... Mas que era um mistério, pra mim, era.

E começou o inverno, e o cursinho preparatório extracurricular para a EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército, que antecedia a AMAN, Academia militar das Agulhas negras, formadora de tenentes) seguia de vento em popa, desde os idos de fevereiro. A EsPCEx era um sonho almejado por muitos ali e alcançado por poucos, dada a parca quantidade de vagas. O fantasma do vestibular chegava-se a nós pela primeira vez através da EsPCEx. Para alguns no ano anterior, pois já dava pra prestar o concurso no primeiro ano do segundo grau, ao final dele. Muitos fizeram, poucos passaram. No segundo ano, a mesma coisa. Um dos que passou mas que não ficou por lá foi o Dias, amigo que mal vejo e há muito não vejo mas que é uma figura, vocês têm que conhecer ele. Ótima pessoa mesmo, que me foi afastada devido ao tempo e circunstâncias que a ele competem. Pois bem, na época em que éramos mais próximos, o Dias com seu jeito de gargalhar em silêncio e eu sempre de nariz entupido – sinusite, crianças, sinusite... – ele fazia o cursinho esse, o extracurricular preparatório, e o Mabilde era dele professor, na área de história. A aula só tinha homens, condição básica necessária pra prestar o curso, ser homem. Alguns nem tão homens, outros nem tão necessários, como eu. Assisti duas aulas, nenhuma do Mabilde, achei um saco aquilo tudo e afinal, eu nem queria ser militar mesmo. Digamos que o mundo perdeu um belo major e ganhou um belo psicopata, mas enfim, o fato é que um tempo depois, o Mabilde falou o “Seis V” em aula e eu fui perguntar pro Dias do que se tratava, e ele sabia! Me disse na hora. Eu ri muito, nem era tão engraçado, mas a sensação era mais ou menos do mesmo tipo que se tem ao descobrir vagina, vulva, vira-vira, vodca, vermute, vinho, vicadin, valium e cerveja, que só falha de ter uma sílaba antes do derradeiro v. Entendem? Eu descobri o mistério, e já podia rir melhor toda vez que ele falasse aquilo nas aulas normais, onde estivessem meninas presentes com suas vaginas, vulvas, e até mesmo virgindades – sim, ainda existiam adolescentes virgens nos idos de 1995, vejam só.

Bem, o tempo passou, a piada perdeu a graça, mais amigos, outros amigos, mais inimigos, outros inimigos, confissões, amnésias etílicas, vaginas, vodcas, vinhos baratos, vilanias e a vida seguiu. E hoje pela manhã, me dei por conta que esqueci o que era o Seis V. Esqueci por completo, mesmo. Só lembro a parte sem censura, que é meio óbvia, por sinal. Acho que nem me lembrei, só deduzi mesmo. Nada mais natural que numa aula de 45 minutos o professor tivesse pressa em ministrar o conteúdo devido, e o “vai e volta voando” se fizesse necessário. Mas já estou aqui com um dicionário na mão, procurando coerência nas lacunas dos v’s esquecidos. Pedacinhos da minha vida que esqueci, mas que vou lembrando quando as sinapses deixam, vão e voltam voando, quando querem.

Eu não sei mais o que são os v’s que faltam, mas sei o que não são. Não são vida. São só uma censura, e vida não é censura. Não a minha, espero que não a de vocês. Talvez a do Mabilde fosse ou assim me parecesse, mas ele se impusera aquilo ou por princípios de respeito, ou pra não apanhar da “Dona Mabilde”, a qual conheci em suas bodas de prata – quando um casamento chega aos vinte e cinco anos, sabem? – ou por qualquer fator que a mim não compete.

À vontade.

domingo, março 30, 2003

respostas para filhos:

'não filho, pompoarismo não tem a nada a ver com pompons...'

apenas esclarecendo um comment aqui depositado.

'eles estão jogando. eles estão jogando de não jogar um jogo. se eu mostro a eles que eles estão (jogando), eu posso quebrar as regras e ser punido. eu preciso jogar o jogo deles, de não ver que eu vejo o jogo.'

'os místicos e os esquizofrênicos encontram-se no mesmo oceano; enquanto os místicos nadam, os esquizofrênicos se afogam.'

Ronald David Laing

sexta-feira, março 28, 2003

signore luigi, o fazedor de salsichas

'viu só? vão fazer um presídio federal no piauí.'
'piauí? é perto di amazonas, non?'
'ahn, mais perto que aqui...'
'gosto di amazonas.'
'ééé, o senhor sabia que o nome do estado vem do mesmo nome das mulheres guerreiras?'
'mulhas guerreiras? muito musculati, non?'

fez salsicha.

hans kaskalssa, o nazista de pijamas - no front, no iraque

'o senhor é o kaskalssa, hans?'
'eu mesma. o que desecha?'
'o senhor foi convidado pra ser síndico da prisão federal, pelo governo brasileiro.'
'prrisão federral? disciplina!'
'só tem uma coisa...'
'o quê, vai terr dirreito à zyklon b?'
'não, mas a prisão é no piauí...'
pôu!
'ach! miabraça! miabraça! miabraça!'
estranhou, mas abraçou.
'não, sua soldado burra! as irraquianos entrincheirradas me acertarram na braça! chama uma médico! uma médico! ach, irraquianos malditas!'

e dá-lhe zyklon b.

ivanhoé, o macrófago - no piauí

'ah, não, eu não vou. prefiro até passar um post sem comer ninguém, mas isso não.'

saddam hussein recebe proposta de lula para receber asilo político na prisão federal do piauí

ele nega. piauí é sacanagem.

tá, esse textículo do mr.manson, no cocadaboa, mereceu.

"Piauí terá em 40 dias primeiro presídio federal

Alguns comentários:

- A idéia é boa, mas garanto que logo vai aparecer algum defensor dos direitos humanos reclamando da crueldade de obrigar alguém a viver no Piauí.
- No Piauí, o banho de sol para os presos não é privilégio, é tortura.
- O Piauí tem uma vocação natural para abrigar um presídio. Quem mora lá não vive, cumpre pena.
- Os presos vão ter direito a 3 refeições diárias? Caso positivo, a criminalidade no estado vai aumentar assustadoramente.
- Finalmente eles vão explorar seu potencial turístico. Muitos cariocas vão passar umas férias forçadas por lá. "

terça-feira, março 25, 2003

'sabe como eu chego em bagdá?'
'tá vendo aquela luz lá na frente?'
'aquela grande e avermelhada?'
'isso. à direita dela, tem uma prisão improvisada no deserto, segue uns duzentos quilômetros em frente e dobra no primeiro poço de petróleo em chamas à esquerda. anda mais uns oitenta quilômetros que tu vai enxergar uns helicópteros caídos. daí, segue um pouco pra direita, sempre ao norte, que tu vê umas ruínas. é lá.'
'meio difícil...'
'pois é, nessa época do ano é meio brabo chegar lá.'
'acho que vou pegar uma carona num tomahawk...'

ivanhoé, o macrófago - associando

'tá, é uma associação live de idéias.'
'pode dizer a primeira palavra?'
pensando - 'não vou dizer platão senão me estrepo de novo. melhor tentar alguma outra coisa, deixa ver. platão, república, território, guerra, armas, espada... é, é isso, espada.' - 'a palavra é espada.'
'espada? grande.'
'grande?'
'grande...'

comeu, ipsis litteris.

signore luigi, o fazedor de salsichas

'tá, é uma associação livre de idéias.'
'entendo. mi dá una palavra?'
'platão.'
'platón? musculati, cáspite?'
'músculo, como assim?'
'má che fácile! platón, filsófia, mens, mens sana in corpore sano, corpore, musculati. muito musculati, non?'
'é...'

fez salsicha.

'tá, é uma associação livre de idéias, nada mais que isso.'
'ôquei, eu topo. me dá uma palavra.'
'platão.'
'platão? ahn... batata.'
'taqueospariu! como assim batata?'
'platão, filósofo, o personagem aquele do machado de assis, que dizia ao vencedor as batatas e era metido a sabichão, batata, ó.'
'que saco. essa gente não sabe brincar...'

'pelotão van gogh, SENTIDO!"

e assim segue a vida no iraque, aprazível país-alvo que detêm o recorde de recrutamento forçado no mundo, depois da igreja universal. resta saber se as bombas inteligentes são também evangélicas, o que pode furar o esquema brasileiro de ataque.

'eu não sei, minha vida parece que entrou em parafuso, minhas amigas não me dão mais ouvidos, nenhum homem parece me querer... eu tô gorda, gorda, gorda...' - e chora copiosamente.
'e eu com isso? agora pára com essa palhacéia que vai manchar o meu divã.'

aquele tinha um futuro brilhante na psicanálise.

profissão loser do dia (apud veríssimo)

osama bin laden, porque deve ser ridículo andar por aí de fu manchu.

sexta-feira, março 21, 2003

árvore, filho, livro

aquele era o tipo de informação que fica na cabeça, perdida entre belos pares de coxas e peitos femininos. quando criança, viu numa entrevista do chico anysio ao goulart de andrade que um homem só se realizaria no dia em que escrevesse um livro, plantasse uma árvore - excetuada a mandioca, devido às conotações que tal sentença suscita, e já que plantar a mandioca leva, em alguns casos ( uns seis bilhões atualmente, mais ou menos, mas o número tende a diminuir devido ao belicismo crescente) ao último ponto da tríade da realização anysiana: ter um filho.

pois bem, depois de dois apostos intermitentes, só resta contar que obviamente a frase não é do produtivo anysio - filhos e mulheres mil, sem contar os personagens; mas sim de uma sabedoria popular (conceitos estranhos de serem postos numa mesma frase, esses...), antiga e de etimologia a mim desconhecida. mas ele não sabia dissso, o que sabia é que tinha um desejo inconsciente de plantar uma árvore, já menino, e assim o fez, com um pouco de algodão e água e alguns grãos de feijão num copo de cafezinho, típico de repartições rodrigueanas, sabem?, os feijõezinhos germinaram mas nunca viraram árvores, pelo menos não do jeito que ele queria. de apartamento que era, desistiu do projeto do plantio, pelo menos para se concentrar nos outros dois tópicos da agenda até que pudesse ir morar no campo e terminar com um dos tópicos.

e cresceu e ficou tentando ter filhos a todo custo. é de estranhar e eu não vou ficar de fora disso que ele tentasse ter filhos com toda e qualquer mulher que aparecesse, de professoras a balconistas de sorveteria, passando pelas coleguinhas de aula e culminando nas namoradas que teve, a muito custo conquistadas, por dinheiro e bebida nenhuma engravidadas. até que o inesperado aconteceu. a camisinha estourou, desespero dela, sorriso dele. como tivesse espermicida, lá se foi o plano de novo, até porque não era período fértil e ele deveria ter-se informado melhor a respeito disso.

restava-lhe o livro. dos desígnios da imortalidade, a tarefa que parecia ser mais simples. só escrever, publicar e vender pros amigos verdadeiros, talvez dar um de presente pra mãe, que bancaria toda a publicação. mas era péssimo, nem a genitora conseguia ler algo dele, nem os colegas de estágio, nem a ex-namorada promoter, que terminou com ele e saiu espalhando por aí que ele tinha mania de reprodução, o que fez com que suas possibilidades de conquista diminuíssem consideravelmente, com isso diminuindo também compradores potenciais para o livro que nunca escreveria, pois a mãe declarou que nunca daria um centavo a ele para que estragasse quilos de papel com aquilo.

frustrado, criou um blog. e nunca ficou sabendo que a frase não era do chico anysio, seu ídolo maior.

vida besta.

segunda-feira, março 17, 2003

vozes

andando na rua, como fazia às vezes, porém nunca quando estava em férias, pois nesse período só fazia ficar em casa lendo e ouvindo música, ouviu uma voz chamar seu nome. olhou em torno, esperando algum conhecido, a voz era de homem, mas nada encontrou. nada, nem ninguém. era muito cedo, só os ônibus e táxis e carros e vans e bicicletas estavam cheios de gente a caminho de suas ocupações, e ele estava numa rua deserta e solitária, afastada do asfalto e dos passos apressados. gostava de acordar cedo, mais um menos uma hora antes do normal, isso quando não estava de férias. a voz persistiu, chamando seu nome de novo. no entorno, nada ainda, como antes. as janelas todas fechadas. a voz mais uma vez. seguiu caminhando, intrigado pelo chamamento incessante. parou de andar subitamente. a voz parou.

chegando no trabalho, outra voz, o mesmo nome, seu nome, sendo chamado. olhou por cima de seu cubículo asséptico visualmente, pois nunca fora de cultivar raízes em qualquer lugar que fosse ou pessoa, e todos ocupados demais pra falarem ons com os outros. outra voz, o nome de novo, em outro lugar. outro lugar da sala, achava. olhou de novo e de novo. ninguém percebia sua inquietação, visível a quem quisesse, não estivessem todos muito ocupados com suas próprias vidas e próprios nomes. e logo outra voz juntou-se à anterior, e outra e mais outra. não agüentando mais, depois de alguns minutos nos quais em nada podia concentrar-se, foi ao banheiro, seguido pelas vozes, algumas gritando, outras chamando, bêbadas, sóbrias, guturais, estridentes, fanhas, rápidas, femininas, masculinas, todos os tipos, todos os timbres, mas sempre o mesmo nome, o seu nome. trancou-se numa das cabines minúsculas, e foi-se acostumando até que as vozes passaram a fazer parte de seus pensamentos, por mais reais que fossem e por mais que não saíssem de outro lugar que não sua cabeça. sim, isso já sabia. as vozes saíam de sua cabeça. o que significava que mais ninguém seria por elas afetado. poderia viver com aquilo, as férias estavam chegando, afinal. apenas mais alguns dias.

ali pelas onze horas, tornou-se insuportável conviver com tantas vezes sendo chamado por uma região conflituosa de sua mente, estava louco, isso era óbvio, tanto pra ele quanto pra mim. não é algo lá muito normal ficar ouvindo seu nome o tempo todo, mesmo que você seja o raul seixas. e era esse o nome dele. raul, não seixas. e ficava ouvindo e raul ouvindo seu nome o tempo todo, até que um dia, raul ou noite, não sei bem - porque ele já estava raul no isolamento do manicômio judiciário a essa altura - ouviu dentro raul de sua cabeça, com uma raul clareza nunca antes raul demonstrada, um 'tocarraú, véi!'

pegou uma linha cruzada, ainda raul por cima. por isso raul as vozes não raul paravam.

vida raul besta.

'eu quero um sumário desse processo na minha mesa às duas.'

três caixas cheias de documentos.

'sumariza isso aqui!' - tirou das calças e balançou, rindo e gritando.

foi demitido. mas tudo bem, era só um estagiário de advocacia, mesmo...

pelo menos pegou a secretária, que gostou do que viu. e o chefe, mas isso ex officio.

terça-feira, março 11, 2003

aparição

'eu dirijo, Deus guia.'
'ih, Eu não Tenho nada com isso...'
'pô, eu pensei que Tu curtisse bêbado...'
'Eu, curtir bêbado? o último bêbado que Eu dei crédito ficou dando uma de crucificado e olha a merda que deu...'
'jesus?'
'não, o raul. ô sujeitinho...'

decidiu se converter ao budismo.

vida besta.

'oi?'
'hmmmpf.'
'e elas?'
'grunfl.'
'...'
'tudo muda, menos as surdas.'
'hein?'

sfc:

'hay google, soy contra.'

para usuários do blogger.

sexta-feira, março 07, 2003

sobre a questão da pocotó, talvez seja necessário revermos nossos conceitos. na semana de arte moderna de 1922, os artistas modernistas eram vistos pela burguesia conservadora como lunáticos ou simplesmente idiotas. hoje em dia são respeitados e se transformaram em figurinhas carimbadas em qualquer prova de literatura que se preza.

imaginemos, apenas como um exercício de ficção, a prova de literatura do vestibular da faculdade carandiru de dadaísmo (facada) 2046, em que nossos netos provavelmente encontrarão as seguintes perguntas:


'1. Leia o trecho do poema abaixo e responda as questões:


"O JUMENTO E O CAVALINHO ELES NUNCA ANDAM SÓ

QUANDO SAI PRA PASSEAR LEVA A ÉGÜINHA POCOTÓ

POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ

VAI, LACRAIA!

POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ

MINHA ÉGÜINHA POCOTÓ"

("Égüinha Pocotó", MC Serginho, 2003)


a) A forma adotada pelo autor do texto leva o leitor a uma reflexão crítica acerca de alguns elementos do estilo literário da época, ao mesmo tempo em que insere temáticas dotadas de valor universal. Assinale a passagem em que o autor expressa com maior intensidade esse dualismo. Identifique a figura de linguagem adotada.

b) Ao idealizar a união, num mesmo patamar, de personagens que até aquele momento só haviam sido tratados em termos de separação de classes, metaforiza o autor o "jumento e o cavalinho" como uma paródia da realidade social do país à época. O brilhantismo dessa visão contestatória é destacado por expressões que, ao leitor menos atento, podem parecer erros gramaticais, mas que na verdade geraram uma nova aplicabilidade na sintaxe da norma culta da variante brasileira urbana da língua portuguesa. Identifique esses trechos e as inovações gramaticais por eles introduzidos.

c) Eleita acompanhante nos passeios dos dois protagonistas, a Égua Pocotó rompe a solidão até então predominante em seu contexto no panorama urbano estabelecido à época. Mais do que um triângulo amoroso convencional, o autor atribui aos personagens um status que transcende a natureza física convencional. Emerge então o caráter feminino, no auge de sua auto-afirmação como contraponto ao pansexualismo. Descreva o papel da Égua Pocotó como elemento de instabilidade no equilíbrio social do Brasil do início do século XXI.

d) O poema de MC Serginho, precursor do movimento literário-cultural denominado Pocotoísmo, propõe uma nova métrica e abordagem ao texto poético. Alguns críticos da época chegaram a compará-lo a "Pedra no caminho", de Carlos Drummond de Andrade, esquecido poeta do século XX. Mais tarde, foi efetivamente identificada a sua decisiva contribuição para a quebra dos paradigmas literários, existenciais e de viés sociológico então vigentes. Compare o estilo da obra de MC Serginho com os autores clássicos do século XX e justifique a relevância de sua obra.'